Um idoso de 75 anos, taxista e aposentado, teve toda a sua economia — R$ 85 mil — levada em um golpe durante a compra de um veículo em Nova Mutum.
O caso, registrado como estelionato, envolve um suspeito identificado como Dennis Henrique, que trabalha como assessor de um juiz no Fórum da cidade de Nova Mutum.
A vítima, que depende exclusivamente do carro para seu sustento, foi surpreendida com um mandado de busca e apreensão do veículo, expedido pelo próprio Judiciário local, dias após a transação.
De acordo com o boletim de ocorrência, o idoso negociou a compra de uma Tracker diretamente com Dennis, que alegou ter recebido o carro como forma de pagamento de um suposto cunhado, devido a uma dívida de construção.
“O rapaz falou: ‘Olha, meu cunhado vai aí mostrar o carro para você, que o carro tá no nome dele. Eu trabalho com construção, tô construindo uma casa aqui para ele, e ele me deu o carro como forma de pagamento. Preciso vender o carro para terminar a obra'”, relatou Thaimar, filho da vítima, que acompanhou o pai durante a negociação.
Apesar das suspeitas iniciais, o comprador foi convencido após o suspeito apresentar um advogado — identificado como o verdadeiro dono do veículo —, que confirmou a história.
“O dono do carro era advogado, estava lá o embleminha da OAB no carro dele, falou que conhecia a gente que já morou em Nova Ubiratã, que trabalhava no fórum, era assessor do juiz”, contou Thaimar. O advogado teria garantido que o pagamento deveria ser feito para uma conta bancária em nome de sua irmã, supostamente a cunhada de Dennis.
Mesmo com receio, o idoso e o filho efetuaram o depósito de R$ 85 mil via pix.
“Ele confirmou para mim que era cunhado mesmo e que tinha uma dívida com ele. Aí, por isso, iria vender o carro. Nós olhamos o carro, estava novo, e gostamos”, disse Thaimar.
Após o pagamento, foram ao cartório, que fica em frente ao forum em Nova Mutum, com recibo assinado por ambas as partes. No entanto, no dia seguinte, Dennis ligou afirmando ter “caído em um golpe” e exigiu a devolução do veículo.
A situação piorou quando, dias depois, um oficial de justiça, acompanhado por policiais militares, apreendeu o carro com base em um mandado judicial.
“Meu pai tem 75 anos de idade, usa o carro para táxi, é o ganha-pão dele. E o cara trabalha dentro do fórum lá de Nova Mutum”, desabafou Thaimar.
O boletim de ocorrência ressalta que o mandado foi expedido por um juiz com quem o suspeito tem vínculo funcional, levantando suspeitas de parcialidade. A vítima, que já enfrenta dificuldades financeiras, viu seu único meio de sustento ser levado.

“Para você ter ideia, essa aqui é a casa do meu pai: é só um pedaço da casa. A casa dele era de madeira, os cupins foram comendo, ele teve que desmanchar. A cerâmica preta é onde ele desmanchou a casa. Ele tá morando naquele pedacinho de casa ali”, relatou o filho.
Os R$ 85 mil representavam toda a economia do idoso, que precisava do carro para continuar trabalhando. O caso está sob investigação, mas a família teme que a influência do suspeito dentro do Judiciário atrapalhe a apuração.
“Nós pagamos R$ 85 mil à vista, porque meu pai é taxista. Ele pegou um carro novo para trabalhar, e agora acontece um trem desses”, lamentou Thaimar. Enquanto isso, o idoso, que já tinha reduzido suas corridas devido à idade avançada, enfrenta incertezas sobre como se sustentará sem o veículo.
A Polícia Civil foi acionada, e o inquérito deve apurar não apenas o estelionato, mas também a possível utilização indevida da estrutura judicial para beneficiar o suspeito.
Enquanto a justiça não for feita, a família clama por respostas — e pelo retorno do dinheiro que representava a segurança de um homem que, aos 75 anos, ainda trabalhava para sobreviver.
