O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) negou ter cometido irregularidades na destinação de emendas parlamentares para aquisição de kits agrícolas. Ele é um dos 13 deputados estaduais, além de um prefeito e um secretário de Estado, citados em uma investigação da Polícia Civil que apura um suposto esquema envolvendo emendas durante o período eleitoral, com um possível prejuízo de R$ 28 milhões aos cofres públicos.
A apuração é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) no âmbito da Operação Suserano, deflagrada em setembro de 2024. Segundo a Polícia Civil, as emendas teriam sido usadas para a compra de kits agrícolas como roçadeira, motocultivador, adubadeira costal e perfurador de solo, com indícios de sobrepreço de R$ 10,2 milhões.
Em entrevista na manhã desta segunda-feira (16), Avallone, que preside a Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), disse negou ter destinado uma emenda de R$ 10 milhões para uma das instituições citadas na reportagem.
“Na matéria tem alguns equívocos, e eu posso dizer só em relação a mim. Lá fala numa emenda de R$ 10 milhões que não existe. Eu nunca dei emenda de R$ 10 milhões para nada. Não só para esta associação, nem para outra associação, e nem para outra secretaria, nem para nada”, afirmou o deputado.
De acordo com ele, suas emendas têm sido destinadas para as ações voltadas para áreas como esporte e cultura. “Eu tenho 17 associações que receberam emendas do deputado Carlos Avallone para eventos, para esporte, para cultura, para exposições, para fazer livros”, disse.
Avallone afirmou que a prova da inexistência de irregularidades está na publicidade das entregas dos kits agrícolas. Segundo ele, todas as entregas de kits financiadas por suas emendas em suas redes sociais.
“Todas as minhas entregas estão no meu Instagram. Tem transparência e é uma animação deles quando eles recebem. Há dúvidas de que há um superfaturamento em alguns kits. Agora, imagina, um kit de R$ 2.000 ter algum tipo de superfaturamento. Se houver, não sou eu que fiz. Eu destinei a emenda para um objetivo”,
O deputado também criticou a forma como a Polícia Civil conduziu a operação. Em seu entendimento, a autoridade policial deveria delegar a investigação para o órgão competente para investigar autoridades como deputados, como o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), um grupo operacional do Ministério Público e da Polícia Civil de Mato Grosso.
Na avaliação dele, a polícia agiu propositalmente. “A legislação diz o seguinte, que deputado tem que ser investigado no Naco, tem que ser investigado por um sistema diferente, não é na Polícia Civil. Se foi a Polícia Civil que investigou, ela não devia ter feito isso. Quando apareceu o nome do deputado, ela devia ter encaminhado para aquele direito”, declarou Avallone.
“Mas se investigou, está investigado. Então, agora anda para frente. Mas depois que investigou. Então, fez propositadamente. Fez primeiro uma investigação. Depois que concluiu a possível investigação, aí fez os encaminhamentos. Quando[os encaminhamentos] deveriam ter sido feitos lá no começo. Mas eu sou engenheiro civil. Eu não sou advogado. Se foi a delegada ou delegado, encaminha pra frente, para a Polícia Federal, no Naco”.
Outro lado
Procurada pela reportagem para comentar sobre a declaração do deputado a respeito da operação, a Polícia Civil declarou que a investigação está sob sigilo e que o inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público.
“A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), informa que as investigações relacionadas à Operação Suserano são sigilosas. O inquérito policial foi encaminhado para apreciação do Ministério Público e Poder Judiciário, no mês de maio, diante da possível alteração de competência para apuração dos fatos”, disse a instituição em nota enviada à reportagem.