Relatório que investiga supostas agressões e torturas praticadas por policiais penais contra detentos do presídio Ferrugem, em Sinop, revelou não apenas um plano para assassinar o juiz Marcos Faleiros da Silva, como também uma suposta tentativa de interceptação do veículo oficial que transportava o magistrado e sua equipe durante o retorno para Cuiabá.
De acordo com o documento, o juiz e os integrantes da comitiva decidiram voltar para a Capital no mesmo dia em que um líder da facção criminosa Comando Vermelho teria relatado a existência do plano para matar o magistrado. Durante o trajeto, o veículo oficial do Tribunal de Justiça teria sido perseguido e “fechado”.
Ainda conforme o relatório, uma caminhonete Volkswagen Amarok, com vidros escuros, freou bruscamente à frente do carro oficial e permaneceu parada a cerca de 20 metros de distância, por aproximadamente 20 minutos. Diante da situação, o motorista do veículo do TJ parou o automóvel e desligou os faróis.
Em seguida, para despistar o veículo suspeito, a equipe decidiu retornar alguns metros com os faróis apagados, enquanto trafegava pela rodovia MT-010.
A Polícia tentou identificar quem estaria dentro da caminhonete Amarok, porém não conseguiu localizar ou identificar os ocupantes do veículo.
Por fim, o magistrado relatou que, ao longo de sua carreira, nunca vivenciou situação semelhante e destacou que a sequência de episódios fora do padrão registrados naquele período afasta qualquer possibilidade de mera coincidência.
Denúncia de homicídio
Um vídeo mostra o momento em que o líder do Comando Vermelho identificado como Ismael da Costa dos Santos relatou um suposto plano para atacar e matar o juiz Marcos Faleiros da Silva, responsável por inspeções no Presídio Ferrugem, em Sinop.
Segundo o detento, o plano teria sido encomendado pelo diretor da unidade prisional, Adalberto Dias de Oliveira, com a participação do subdiretor Antônio Carlos Negreiros dos Santos. A intenção seria executar o crime durante uma audiência de custódia do suspeito.
Em troca da execução, o criminoso receberia supostas regalias dentro do presídio, como transferência para o Raio Evangélico e possibilidade de trabalhos externos. No entanto, em depoimento, ele afirmou que não pretendia colocar o plano em prática e decidiu fazer a denúncia.
Durante a gravação, o detento relatou ainda falhas graves na escolta. Segundo ele, não foram colocadas algemas em seus pés e as algemas das mãos teriam sido posicionadas de forma irregular, o que permitiu que ele se soltasse com facilidade diante do juiz. Ele também afirmou que os policiais penais responsáveis por sua transferência permitiram que ele entrasse na sala portando um estilete.