Barraqueiros que atenderam casal de MT em praia de Porto de Galinhas negam homofobia; veja vídeo

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Barraqueiros que trabalham na praia em Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE), negaram que as agressões contra o casal Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, moradores de Tangará da Serra (MT), foram motivadas por homofobia. Johnny e Cleiton estavam de férias quando foram agredidos por um grupo de ambulantes após se negarem a pagar um valor diferente do combinado pelo aluguel de cadeiras. 

No vídeo que circula nas redes sociais, um dos trabalhadores chega a dizer que o casal estava “embriagado” e com “dois litros de uísque”. Johnny e Cleiton foram agredidos por mais de 10 barraqueiros. A cena foi filmada por pessoas que estavam na praia no momento. 


“A história sempre tem dois lados, vamos apresentar o nosso. Primeiro queria deixar claro que não existe cunho algum sobre homofobia, não foi caso de homofobia. Os caras estão tentando atrelar isso na história e não foi isso. Foi o companheiro Eduardo que abordou o cara lá em cima, veio explicando sobre a estrutura, que custava R$ 80 e tinha o que comer. Aparentemente os caras estavam embriagados, estavam com dois litros de uísque”, explica o barraqueiro. 

No vídeo, eles também afirmam que o casal provocou desentendimentos na praia antes das agressões. “Infelizmente tem gente que sai de casa para brigar”, diz o barraqueiro. Na versão deles, Johnny e Cleiton teriam dado um mata-leão em um dos vendedores que apresentava um cardápio de comida. 

O barraqueiro ainda nega que o casal foi agredido por um “grupo de 30 pessoas”, de acordo com ele apenas “cinco ou seis pessoas” se envolveram na “briga generalizada”. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, disse em entrevista nesta segunda-feira (29) que determinou a adoção imediata com uso do sistema de inteligência para identificação dos envolvidos.

Segundo ela, 14 pessoas já foram qualificadas no curso das investigações. Raquel pediu desculpas em nome do povo pernambucano, afirmando que o ocorrido não representa a forma como turistas são recebidos no Estado.

Casal gravou vídeo 

O casal se pronunciou através de um vídeo publicado no Instagram neste domingo (28). O personal trainer aparece com o rosto desfigurado por conta das agressões e lamenta que muitas pessoas estavam filmando a situação, mas não ofereceram ajuda.


“Me bateram de todas as formas, com cadeira, com socos e pontapés. Ninguém nos ajudou, todo mundo filmando, mas ninguém nos ajudou, até que o Corpo de Bombeiros colocou a gente no carro. Eles, não contentes, continuaram agredindo, subindo no carro, jogando areia nos nossos rostos. Se não fosse os salva-vidas nessa hora estaríamos mortos, foi um massacre”.

Segundo ele, ficou combinado o valor de R$ 50 pelo aluguel No momento do pagamento, no entanto, a cobrança teria sido alterada. “Quando fomos pagar a conta o valor era outro. Estava cobrando quase o dobro. Disse que ia pagar o valor que tínhamos combinado. Já passou a mão na cadeira. Quando me dei conta já tinha umas 15 pessoas batendo na gente”, contou. Ainda no vídeo, Johnny relata ter sido agredido de forma intensa.

“Toda a lateral do meu corpo está machucada, bateram muito em mim. Me bateram de todas as formas, com cadeira, com socos e pontapés. Ninguém nos ajudou, todo mundo filmando”, disse. Ele afirma que só conseguiu sair da situação após Cleiton pedir ajuda aos salva-vidas.

“Se não fosse os salva-vidas nessa hora estaríamos mortos, foi um massacre.” Cleiton Zanatta também aparece no vídeo e faz um desabafo direcionado a outros turistas. Ele afirma que, apesar da fama do destino, a experiência foi traumática.

“Quero deixar aqui registrada a indignação. Sei que Porto de Galinhas é um lugar maravilhoso, só que enquanto tiver essa situação, não venham para Porto de Galinhas”, declarou. O empresário também critica a estrutura de atendimento após o episódio.

Segundo ele, o casal não encontrou suporte adequado e precisou arcar com custos por conta própria. “Não tinha raio-x, ambulância, tivemos que pagar ambulância do nosso bolso”, afirmou. Cleiton disse ainda que o casal pretende processar a Prefeitura e o Governo de Pernambuco e que recebeu relatos de outras pessoas que teriam passado por situações semelhantes.

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