Fies libera renegociação com desconto de até 99% a partir desta quarta; veja como quitar

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Milhares de brasileiros que acumulam dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) terão uma nova chance para limpar o nome e reduzir drasticamente o saldo devedor. A partir desta quarta-feira (13), estudantes poderão renegociar contratos atrasados com descontos que chegam a 99% do valor total da dívida.

A medida faz parte da nova versão do Desenrola, lançada pelo governo federal, e vale para contratos firmados até 2017 que já estejam na fase de amortização — quando o estudante começou a pagar o financiamento.

A renegociação deverá ser feita diretamente nos canais da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil, responsáveis pelos contratos do programa.

Segundo o Ministério da Educação, a expectativa é que mais de 1 milhão de estudantes aproveitem as novas condições para renegociar os débitos.

Os maiores descontos serão destinados a estudantes inscritos no CadÚnico e com dívidas antigas. Em alguns casos, o abatimento poderá praticamente zerar o valor devido.

De acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União, estudantes do CadÚnico com débitos vencidos há mais de 360 dias poderão receber desconto de 92% sobre o valor consolidado da dívida. Já quem estiver com a última parcela atrasada há mais de cinco anos poderá obter desconto de 99%, inclusive sobre o valor principal do contrato.

Para estudantes fora do CadÚnico, mas com atraso superior a 360 dias, o desconto poderá chegar a 77% do valor total da dívida. Já quem está adimplente ou possui atraso de até 90 dias poderá conseguir redução de 12% para pagamento à vista.

Outra condição que chama atenção é o parcelamento. Contratos com atraso entre 90 e 360 dias poderão ser renegociados com perdão total de juros e multas e parcelamento em até 150 vezes. A parcela mínima será de R$ 200.

Apesar de fazer parte do Desenrola, a renegociação do Fies não permitirá o uso do FGTS para abater dívidas, diferentemente de outras modalidades do programa.

Veja quem pode participar

Podem aderir à renegociação:

  • estudantes com contratos assinados até 2017;
  • financiamentos que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026;
  • contratos ativos com pagamentos iniciados;
  • estudantes que fizerem a adesão até 31 de dezembro de 2026.

A adesão será feita por meio de termo aditivo ao contrato de financiamento. Segundo a resolução, ao aderir à renegociação, o estudante reconhece formalmente a dívida e poderá ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência após a efetivação do acordo.

⚠️ O benefício poderá ser cancelado caso o estudante deixe de pagar três parcelas consecutivas ou cinco alternadas da renegociação.

Nesses casos, o desconto concedido será reincorporado ao saldo devedor, fazendo a dívida voltar a crescer. A resolução também estabelece que apenas uma renegociação poderá ser feita dentro desta nova modalidade do Fies.

Os números do governo mostram o tamanho da crise envolvendo o financiamento estudantil no Brasil. Segundo dados enviados ao Congresso Nacional no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a dívida acumulada do Fies alcançou R$ 90 bilhões no fim de 2025.

Desse total, cerca de R$ 61 bilhões correspondem a contratos com atraso superior a um ano — cenário que levou o governo a ampliar os descontos e flexibilizar as regras para renegociação.

O novo Desenrola é visto pelo governo como uma tentativa de reduzir a inadimplência histórica do programa e devolver crédito a estudantes que ficaram impossibilitados de financiar novos projetos por causa das restrições no CPF.

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