A influenciadora Natiele Aparecida, de Sorriso (420 km de Cuiabá), que já estampou a capa da Revista Sexy, teve mais de R$ 13 milhões bloqueados pela Justiça durante a Operação Engodo Digital, deflagrada pela Polícia Civil na última terça-feira (18) para desmontar um esquema milionário envolvendo jogos de azar online e lavagem de dinheiro.
Além do bloqueio milionário nas contas de Natiele, outros investigados também tiveram valores congelados pela Justiça. Andreia da Silva teve R$ 1,9 milhão bloqueado, Roseli Fagundes Marques, R$ 1,5 milhão, Johannes Santos Guimarães da Silva, R$ 897 mil, Edilson Xavier da Silva, R$ 706,4 mil e Sun Chunyang, R$ 100 mil.
A participação individual de cada um desses alvos no suposto esquema ainda não foi esclarecida pela investigação. A Polícia Civil também mirou empresas que, segundo a apuração, teriam sido usadas para dar aparência legal ao dinheiro. Entre os alvos estão Lumiere Soluções Audiovisuais, Naama Mega Hair, Mercado e Açougue Europark e Cash Pay Meios de Pagamento.
De acordo com os investigadores, empresas de fachada e estruturas societárias simuladas teriam sido utilizadas para esconder a origem dos valores obtidos com a divulgação de jogos de azar, entre eles o conhecido “Jogo do Tigrinho”.
A investigação aponta ainda que os recursos passavam por empresas ligadas a plataformas de apostas, como Cash Pay Meios de Pagamento, All Bet Entretenimento, Bytech e HKP Pay Pagamentos, antes de serem redistribuídos para uma rede formada por pessoas próximas à influenciadora.
TIGRINHO E CACHÊ DE R$ 100 MIL
FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: GRUPO DO WHATSAPP | INSTAGRAM DO CN NEWS MT
A apuração também identificou uma ligação que chama atenção: Natiele teria recebido cerca de R$ 100 mil de uma empresa ligada aos artistas Poze do Rodo e MC Ryan para divulgar o “Jogo do Tigrinho” nas redes sociais. A movimentação é investigada dentro do contexto do esquema milionário que, segundo a Polícia Civil, teria acumulado ganhos superiores a R$ 28 milhões ao longo dos últimos anos.
A Engodo Digital cumpriu 56 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueios bancários e de redes sociais e apreensão de passaporte.
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias dos investigados. A operação mira 10 pessoas físicas e oito empresas. Os mandados foram cumpridos em Sorriso e também em São Paulo e São Bernardo do Campo, com apoio da Polícia Civil paulista.
NARCO FLUXO
A investigação também encontrou uma possível conexão com a Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, deflagrada em abril deste ano. Dois alvos da Engodo Digital possuem endereço em São Paulo e são investigados por possível ligação com pessoas e empresas já atingidas pela operação federal, que apurou um esquema envolvendo plataformas clandestinas de apostas e movimentação de dinheiro para o exterior.
Uma fintech apontada como núcleo financeiro daquele esquema também foi alvo da Engodo Digital, com medidas de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e apreensão de passaporte.