A indústria brasileira de máquinas e equipamentos agrícolas segue enfrentando um ano de retração. Entre janeiro e julho de 2026, o setor movimentou R$ 26,2 bilhões, valor 25,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O desempenho de julho também reforçou o cenário de desaceleração. A receita líquida do setor chegou a R$ 4,86 bilhões, queda de 27,5% na comparação com julho do ano passado. Frente a junho de 2026, a redução foi de 2,1%.
A expectativa da indústria, no entanto, é de que o mercado apresente alguma reação entre agosto e outubro, período em que historicamente ocorre maior procura por máquinas e implementos agrícolas.
Segundo Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, o resultado registrado em julho já era esperado diante do ritmo mais lento das operações de crédito ligadas ao Plano Safra.
A avaliação do setor é de que linhas de financiamento voltadas ao produtor rural podem ajudar a estimular novas negociações nos próximos meses. Entre os mecanismos citados estão programas como Moderfrota e Pronaf.
Apesar disso, a baixa rentabilidade no campo ainda é apontada como um dos principais obstáculos para a renovação de máquinas.
“O problema hoje é a falta de rentabilidade do produtor, tanto da safra colhida quanto da safra futura”, afirmou Bastos.
A recente valorização da soja e do milho passou a ser observada como um possível fator de melhora para o mercado. A expectativa é de que eventuais problemas climáticos nos Estados Unidos possam sustentar preços mais elevados das commodities e melhorar a margem dos produtores brasileiros.
Mesmo diante da retração acumulada de 25,8%, a Abimaq mantém a projeção de que o setor encerre 2026 com queda próxima de 20% nas vendas. Para isso, a entidade aposta em uma recuperação parcial das negociações ao longo dos próximos meses.
Mercado de tratores também desacelera
O volume de tratores comercializados caiu em julho. Foram negociadas 6.981 unidades, contra 7.402 em junho, uma redução de 5,69%.
Desse total, 2.790 tratores foram vendidos diretamente aos usuários finais. O número representa queda de 23,3% em relação a julho de 2025 e recuo de 11,3% na comparação com junho deste ano.
Outras 3.531 unidades foram destinadas às fábricas. Nesse segmento, a retração chegou a 33% na comparação anual e a 2,9% em relação ao mês anterior.
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As exportações seguiram caminho contrário. Ao todo, 660 tratores foram enviados para outros países em julho, alta de 10,4% sobre o mesmo período de 2025 e de 6,5% na comparação com junho.
Venda de colheitadeiras registra forte queda
O mercado de colheitadeiras apresentou retração ainda mais acentuada.
Em julho, foram comercializadas 166 máquinas, contra 233 unidades em junho, uma redução de 28,76%.
Do total vendido, 121 colheitadeiras foram destinadas ao consumidor final. O volume ficou 37,6% abaixo do registrado em julho do ano passado e 13,6% menor que o observado em junho.
As vendas para fábricas somaram 31 unidades. O resultado representa uma queda de 89% em relação a julho de 2025 e de 60,3% frente ao mês anterior.
Já as exportações totalizaram 14 colheitadeiras, uma unidade a menos do que em junho.
Exportações crescem apesar da queda no mercado interno
Enquanto as vendas domésticas recuaram, o comércio internacional apresentou desempenho positivo no acumulado do ano.
Entre janeiro e julho, as exportações de máquinas agrícolas somaram US$ 1,017 bilhão, crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Somente em julho, o setor exportou US$ 141,2 milhões, alta de 0,4% na comparação anual. Em relação a junho, entretanto, houve queda de 12,1%.
As importações movimentaram US$ 94,56 milhões em julho, resultado 7,3% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado e 24% abaixo de junho.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, as compras de equipamentos vindos do exterior chegaram a US$ 720,64 milhões, retração de 5% na comparação com igual período de 2025.