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Feminicídios deixam 79 órfãos em MT; 39 mulheres foram assassinadas em 2026

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A violência contra a mulher deixou uma marca que vai muito além das 39 vidas perdidas em Mato Grosso em 2026. Dados de um painel sobre feminicídios revelam que os crimes deixaram 79 órfãos, crianças e outros filhos que perderam suas mães para a violência.

O levantamento também mostra que, entre as 39 mulheres assassinadas, apenas duas possuíam medidas protetivas contra os agressores e dez haviam registrado boletins de ocorrência contra eles.

Outro dado chama a atenção: 28 dos 39 autores e coautores identificados, o equivalente a 71,8%, tinham antecedentes criminais.

Os números fazem parte de um recorte de 2026 apresentado em um painel estatístico. Como o material não informa a instituição responsável nem a data de atualização, os registros não devem ser interpretados como o total consolidado de feminicídios no estado até outubro.

Cuiabá lidera registros e maioria das mortes ocorre dentro de casa

Entre os municípios apresentados no levantamento, Cuiabá aparece com o maior número de feminicídios, somando cinco registros. Várzea Grande aparece com três casos.

A residência, ambiente que deveria representar segurança, foi o principal cenário dos assassinatos.

Dos 39 feminicídios contabilizados, 22 foram classificados como ocorridos em residências e outros sete especificamente na residência da vítima. Juntas, essas categorias representam 29 mortes, ou 74,4% do total.

Outros quatro crimes ocorreram em vias públicas, quatro em propriedades rurais, um em estabelecimento comercial e um em local classificado como outros.

Companheiros e ex-companheiros estão envolvidos em 24 crimes

O levantamento revela que grande parte das vítimas foi assassinada por homens com quem mantinham ou haviam mantido relacionamentos afetivos.

Em 16 casos, os autores foram identificados como companheiros das vítimas. Outros oito feminicídios foram atribuídos a ex-companheiros.

Também foram registrados três crimes envolvendo namorados, três relacionados a familiares e um envolvendo uma relação casual.

Em oito ocorrências, o painel informa que não existia vínculo entre a vítima e o autor.

Entre as motivações apontadas, o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher aparece em 12 casos. Ciúmes, sentimento de posse e machismo foram associados a outros 11.

A separação ou tentativa de rompimento do relacionamento aparece como motivação em oito feminicídios. Discussões foram relacionadas a seis casos, enquanto questões financeiras aparecem em um registro.

Facas e outros objetos cortantes foram usados em quase metade dos assassinatos

As armas cortantes ou perfurantes foram os instrumentos mais utilizados nos crimes, presentes em 19 dos 39 feminicídios.

Outras nove mulheres foram mortas com armas de fogo e seis por asfixia ou estrangulamento.

O levantamento ainda aponta dois casos envolvendo instrumentos contundentes, dois atropelamentos e uma morte por espancamento.

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Mulheres jovens estão entre as principais vítimas

A faixa etária de 18 a 24 anos concentra o maior número de vítimas, com oito registros.

Em seguida aparecem mulheres de 25 a 29 anos, com sete casos.

O painel também contabiliza duas vítimas adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, e uma mulher com 60 anos ou mais.

Quanto à raça ou cor registrada, 24 vítimas eram pardas, nove brancas e seis pretas.

Antecedentes criminais aparecem em mais de 70% dos autores identificados

O histórico dos envolvidos é outro ponto de destaque no levantamento.

Dos 39 autores e coautores identificados, 28 apresentavam antecedentes criminais, correspondendo a 71,8%.

Entre os registros anteriores, 20 envolviam violência doméstica e sete estavam relacionados a crimes sexuais. Essas categorias podem incluir os mesmos indivíduos e, por isso, não representam grupos necessariamente distintos.

Os dados reforçam a importância da identificação de situações de risco, do acompanhamento das denúncias e da atuação preventiva dos órgãos de segurança pública.

Mais da metade dos casos já teve denúncia apresentada

Em relação ao andamento judicial, o painel aponta que 23 registros já tiveram denúncias oferecidas.

Em outros sete casos, houve extinção da punibilidade em razão da morte do agente.

Os nove registros restantes aparecem sem informação sobre a situação processual ou com o campo correspondente não preenchido.

A apresentação de uma denúncia representa uma etapa do processo criminal e não significa, por si só, que houve condenação.

Por trás dos números, 79 filhos perderam suas mães

Embora o levantamento apresente percentuais, motivações e circunstâncias dos crimes, um dos dados mais graves é o número de filhos que ficaram sem suas mães.

São 79 órfãos deixados pelas 39 mulheres assassinadas no recorte apresentado.

Além da perda familiar, esses casos podem provocar consequências emocionais, sociais e econômicas duradouras, especialmente quando envolvem crianças e adolescentes.

Os números evidenciam que o feminicídio não atinge apenas a vítima direta. Seus efeitos alcançam filhos, familiares e comunidades inteiras.

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

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