A pouca experiência do piloto em voos noturnos e erros na aplicação dos comandos contribuíram para o acidente com um avião Cessna 150F no Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, em Sinop, no norte de Mato Grosso. A conclusão consta no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado após a conclusão das investigações, em 5 de outubro deste ano.
O acidente aconteceu em 19 de julho de 2023, durante um treinamento de pousos e arremetidas. A aeronave, de matrícula PT-CNG, sofreu danos estruturais após atingir a pista de maneira brusca. O piloto em instrução e o instrutor não ficaram feridos.
Segundo o relatório, o avião havia decolado do Aeródromo Aerobako, também em Sinop, com destino ao aeroporto municipal, onde seria realizado um treinamento para revalidação da habilitação de piloto de avião monomotor. A ocorrência foi registrada após aproximadamente uma hora e dez minutos de voo, durante a sexta manobra de pouso e arremetida na pista 21.
Na primeira tentativa de contato com o solo, a aeronave tocou a pista de forma brusca. O piloto tentou corrigir a aproximação, mas aplicou um comando excessivo que fez o avião ganhar altura novamente. Ao retornar para o pouso, a aeronave atingiu a pista pela segunda vez, provocando uma sobrecarga estrutural e a quebra do trem de pouso dianteiro. O avião parou na própria pista.
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A perícia encontrou marcas deixadas pelas pás da hélice no asfalto, indicando que a aeronave atingiu o solo em posição inadequada antes da quebra do trem de pouso.
Piloto tinha apenas três horas de experiência em voos noturnos
A investigação identificou que o piloto em instrução acumulava aproximadamente 120 horas de voo, mas apenas três delas haviam sido realizadas à noite, durante sua formação, em 2021. Desde então, ele havia voado somente durante o dia, principalmente em aeronaves de asa baixa, diferentes do modelo utilizado no treinamento.
O instrutor responsável pelo acompanhamento tinha 223 horas e 20 minutos de voo, sendo 35 horas e seis minutos na função de instrutor. Ele havia recebido a habilitação para ministrar instruções cerca de um mês antes do acidente.
Apesar da experiência limitada em determinadas operações, o Cenipa constatou que ambos estavam com as habilitações e os certificados médicos regulares e atendiam aos requisitos exigidos para a realização do voo.