O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de compra de votos, pagamento de ‘mensalinho’ e loteamento de cargos na Câmara de Várzea Grande. O depoimento do vereador Caio Cordeiro (Novo) aponta que o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), ofereceu R$ 100 mil para garantir apoio à sua reeleição e não demitir servidores do gabinete do vereador. O dinheiro estava em uma sacola no gabinete do presidente.
Segundo consta no depoimento de Caio, o ‘mensalinho’ de Wanderley era de R$ 10 mil. O recurso seria, supostamente, custeado por uma concessionária de transporte, além de uma oferta de R$ 100 mil para votar pela recondução de Wanderley.
Conforme o vereador, o dinheiro destinado ao ‘mensalinho’ chegava a R$ 200 mil. O vereador, porém, ressaltou não ter elementos para afirmar quais vereadores aceitaram a proposta.
Caio afirmou que o dinheiro estava em uma sacola no escritório de Wanderley na residência da sua mãe em VG. O endereço também foi um dos alvos do Gaeco no cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (20) quando a operação Cathedra Venalis foi deflagrada.
O depoimento também menciona o almoço promovido por Wanderley a vereadores em uma chácara às vésperas da votação da mesa. De acordo com Caio, Wanderley contava com 14 votos. Todos os aliados participaram da confraternização.
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Caio relatou dificuldades para avançar com as fiscalizações envolvendo a empresa União Transporte e Turismo Ltda. e afirmou possuir gravações de conversas nas quais foi sugerida a retirada da CPI em troca de vantagem financeira.
Segundo Caio, ao insistir na investigação, houve uma tentativa de encaminhá-lo à Comissão de Ética para a cassação de seu mandato.
PROPINA DE R$ 500 MIL
Caio afirmou que Wanderley sondava a privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). Segundo o relato, o presidente teria mencionado a possibilidade de distribuir aproximadamente R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada.
O ex-vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) teria solicitado apoio à reeleição de Wanderley e mencionado a possibilidade de cassação da prefeita Flávia Moretti (PL). As declarações fazem parte dos elementos reunidos pelo Gaeco na Operação Cathedra Venalis.