Ivaldo Luiz Polesello foi condenado a 30 anos e 10 meses de prisão pelo feminicídio da esposa, Ivaldete Coutinho de Oliveira Polesello, de 58 anos, em Sorriso. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (29 de outubro), e o Conselho de Sentença acolheu a acusação do Ministério Público de Mato Grosso, reconhecendo que o assassinato foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
O crime aconteceu em 8 de maio de 2025, na residência do casal, no bairro Benjamin Raiser. Ivaldete foi atingida por diversos golpes de faca dentro do quarto. O neto do casal, de 14 anos, encontrou a avó gravemente ferida e acionou socorro. Ela foi encaminhada ao Hospital Regional de Sorriso, mas não resistiu.
Conforme a cobertura realizada na época, os bombeiros encontraram a vítima caída, com intensa perda de sangue e múltiplas perfurações. A equipe realizou os primeiros atendimentos e a transportou em estado gravíssimo. O laudo de necropsia apontou mais de dez ferimentos de faca, com morte provocada por hemorragia interna e externa.
Após o ataque, segundo as investigações, Ivaldo lavou a faca utilizada e deixou a residência de carro. Ele seguiu até a casa de um funcionário, onde pediu para guardar o veículo e admitiu ter matado a esposa. A autoria também foi confirmada em conversa com uma das filhas.
Ivaldo, que tinha 69 anos na ocasião, foi localizado pela Polícia Militar com ajuda dos familiares e preso em flagrante. Conforme noticiado pelo JK, ele apresentava cortes nos braços e precisou receber atendimento na UPA antes do encaminhamento à Polícia Civil.
Durante o julgamento, um policial militar relatou que, ao informar Ivaldo sobre a morte de Ivaldete, ouviu como resposta: “Graças a Deus”. O depoimento integrou os elementos apresentados aos jurados.
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A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino. Em plenário, o Ministério Público apresentou testemunhos e documentos que apontaram um histórico de violência e intimidação durante os aproximadamente 35 anos de convivência do casal.
As informações apresentadas no julgamento mostraram que, já em 2013, Ivaldete relatava ameaças e dificuldades para deixar o relacionamento. Uma das filhas também confirmou a persistência das intimidações ao longo dos anos.
Em fevereiro de 2025, poucos meses antes do feminicídio, Ivaldete chegou a sair de casa e permaneceu cerca de 15 dias na residência da filha. Conforme os elementos reunidos na investigação, ela retornou após a insistência do marido.
A morte de Ivaldete provocou comoção em Sorriso. Seu corpo foi velado na capela mortuária do cemitério, com os serviços da Funerária São Jorge, e o sepultamento foi marcado para a manhã de 9 de maio de 2025.
Reconhecida como pioneira do município, Ivaldete teve sua trajetória lembrada pela Prefeitura de Sorriso, que decretou três dias de luto oficial e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.