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PC suspeita que ex-funcionária desviou R$ 100 mil para jogar no Tigrinho

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Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, que confessou à Polícia Civil ter desviado dinheiro de uma clínica odontológica em Cuiabá e aplicado golpes em pacientes pode ter usado o dinheiro para jogar no tigrinho. Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), a suspeita relatou estar passando por dificuldades financeiras, possivelmente relacionadas a dívidas de jogos de azar.

A investigação aponta que Arielly teria usado a confiança conquistada enquanto trabalhava na área administrativa e financeira da clínica para desviar pagamentos feitos por pacientes. O prejuízo estimado passa de R$ 100 mil e pelo menos 15 vítimas já foram identificadas.
Durante a apuração da Operação Falso Sorriso, deflagrada nesta quinta-feira (20), a polícia descobriu que a ex-funcionária abordava pacientes pessoalmente ou pelo próprio WhatsApp e oferecia descontos mediante pagamentos por Pix, links, QR Codes ou máquina de cartão ligados às contas dela.

Depois de receber o dinheiro, segundo a investigação, Arielly alterava os registros internos da clínica para fazer parecer que os pacientes estavam em dia. Com isso, os tratamentos continuavam normalmente, enquanto o dinheiro não entrava no caixa do estabelecimento.

Em entrevista ao SBT Comunidade, o delegado afirmou que a própria investigada admitiu os crimes e apontou as dificuldades financeiras como uma das razões para a prática dos desvios e golpes.

“Ela confessou o crime perante a nós lá, ela falou que estava com dificuldade financeira, provavelmente dívida oriunda de jogos de azar, e dessa forma ela confessou não só o desvio do dinheiro da empresa, ou seja, o furto qualificado mediante fraude e também qualificado pelo abuso de confiança, como também o estelionato praticado contra talvez 15 vítimas já identificadas”, afirmou Hugo Abdon.

A suspeita de que o dinheiro tenha sido usado para alimentar uma possível compulsão por apostas. O delegado explicou que a Derf tem encontrado um padrão parecido em outros casos com pessoas que cometem crimes para conseguir dinheiro e sustentar vícios, seja em drogas ou em jogos de azar.

“Isso, exatamente, a delegacia de roubos e furtos aqui, nós temos incidência, um padrão de comportamento em duas esferas, uma são os usuários de drogas, que são muitos usuários de drogas que para manter o vício tem que praticar atos ilícitos, e também temos aqueles que são viciados em jogos de azar, que é muito comparável a drogas, drogas ilícitas também”, explicou.

Segundo o delegado, as dívidas acumuladas acabam empurrando alguns desses usuários para a prática de crimes para conseguir dinheiro.

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“Então, para manter o vício em jogos de azar e também para cumprir com suas dívidas, porque a grande e mais esmagadora maioria deles são endividados, eles praticam esses atos ilícitos”, completou Hugo Abdon.

O caso veio à tona depois que uma paciente contou aos donos da clínica que havia feito um Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária. A partir daí, uma checagem interna encontrou outros pagamentos suspeitos e mais de 15 pacientes em situações semelhantes.

A polícia também identificou contratos que, inicialmente, ultrapassam R$ 50 mil. Considerando ainda tratamentos realizados sem que o dinheiro correspondente entrasse no caixa da clínica, o prejuízo pode passar dos R$ 100 mil.

Mesmo depois de ser demitida por justa causa, Arielly teria continuado a procurar pacientes, se apresentando como funcionária da clínica e fazendo novas cobranças em nome do estabelecimento.

A Operação Falso Sorriso cumpriu três ordens judiciais de busca e apreensão e determinou o afastamento do sigilo de dados telemáticos. Celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais foram apreendidos e serão analisados pela polícia.

Arielly é investigada pelos crimes de furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato. A investigação continua para identificar possíveis novas vítimas, descobrir o destino do dinheiro e dimensionar todo o prejuízo causado.

O nome da operação faz referência ao segmento odontológico da clínica e à relação de confiança que, segundo a polícia, teria sido usada pela investigada para esconder os desvios e golpes.

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