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“Água amarela e comida estragada”: Trabalhador revela condições degradantes em usina de MT

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Um protesto com incêndio que destruiu um alojamento que abrigava trabalhadores de uma construção de uma usina de biodiesel no município de Porto Alegre do Norte (986 km de Cuiabá) revelou uma rede de escravidão com 563 trabalhadores que estavam trabalhando lá. A usina pertence a gigante do agronegócio 3Tentos e a responsável por executar a obra era a TAO Construtora.

“A água não era potável, era amarela, banheiro podre, a gente ficava sentindo aquele fedor da fossa e muito calor dentro dos quartos. A gente ia comer 11h30, quando dava 12h tinha que voltar e, muitas vezes, a comida estava estragada”, relatou.

Segundo o trabalhador, que não foi identificado, a carne era podre e por vezes, os trabalhadores sofriam com dor de barriga. 

A construtora fazia propaganda para chamar os trabalhadores, com condições atraentes, mas quando chegavam lá era bem diferente.

“A gente ia comer, a gente ia comer às onze e meia, quando dava doze horas, tinha que voltar. 

Quando eles chamavam a gente para trabalhar, era uma propaganda danada, mas quando chegava lá, era totalmente diferente do que eles falavam quando eles chamavam a gente para trabalhar”, declarou.

Como se não bastasse, além das condições terríveis, ainda havia as promessas vazias de pagamentos.

“A gente não recebia a hora extra. Eles falavam que a gente estava recebendo, mas eles enrolavam. A gente não recebia certo as horas extras.  eles estavam cortando as horas extras, sendo que lá eles falavam que iam dar a hora extra para a gente”, concluiu a vítima.

As inspeções do Ministério Público do Trabalho também revelaram graves violações às normas de segurança do trabalho no canteiro de obras. Os trabalhadores eram expostos a condições insalubres, com refeitórios inadequados, locais de trabalho sem refrigeração e excesso de poeira. 

Foram constatados acidentes do trabalho não registrados adequadamente, incluindo trabalhadores que sofreram lesões nas mãos e pés, além de doenças de pele causadas pelos produtos manuseados. 

A falta de equipamentos de proteção individual e as condições precárias de trabalho colocavam em risco a saúde e segurança de todos os empregados.

Veja o audio:

 

 

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