A operação: As investigações da Polícia Civil de Mato Grosso na Operação Puer Defensus, deflagrada no município de Sorriso (a 420 km de Cuiabá), revelaram detalhes do esquema envolvendo o empresário Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, e a babá Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos. Segundo a polícia, o investigado se aproveitava do contato com a jovem para obter imagens e vídeos de crianças que estavam sob os cuidados dela.
O caso começou a ser descoberto após uma familiar de uma das vítimas notar um comportamento incomum entre duas crianças. Ao questionar uma delas, a pessoa recebeu o relato de que determinados atos teriam sido ensinados na presença da babá e de um homem. Diante da denúncia, a Polícia Civil deu início às diligências e à coleta de provas.
Conforme a apuração policial, Fábio e Tafnes se conheceram quando a jovem trabalhou para ele no passado. Mesmo após o fim do vínculo empregatício, os dois continuaram mantendo contato.
As investigações apontam que a babá e o empresário se conheceram quando ela trabalhou para ele e continuaram mantendo contato. Inicialmente, conforme a polícia, a jovem comercializava imagens próprias ao investigado por cerca de R$ 150. Com o passar do tempo, entretanto, o empresário teria passado a solicitar também imagens de crianças às quais ela tinha acesso durante o trabalho. A Polícia Civil afirma que ao menos cinco crianças, com idades entre 1 ano e 8 anos, teriam sido vítimas dos investigados entre agosto de 2025 e março de 2026.
Ainda conforme a apuração, os investigados teriam apagado arquivos e conversas dos aparelhos celulares, mas parte do conteúdo já foi recuperada pela perícia, enquanto o material extraído do telefone do empresário ainda está sendo analisado. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os policiais apreenderam armas de fogo, munições, celulares, computadores, mídias de armazenamento, equipamentos de monitoramento e fitas VHS, que passarão por perícia. Os investigados poderão responder por diversos crimes, entre eles estupro de vulnerável, produção de pornografia infantil, favorecimento à prostituição, corrupção de menores e outros delitos previstos na legislação.
O que diz a defesa da babá
Tafnes está presa desde o mês de junho. Por falta de vagas em estabelecimentos prisionais femininos no estado de Mato Grosso, ela permanece detida na Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Sorriso.
Em entrevista ao portal CN News MT, o advogado de defesa da jovem, Dr. Walter Rapuano, afirmou que sua cliente é, na verdade, vítima de aliciamento prolongado. De acordo com o defensor, Tafnes teria sido aliciada e abusada sexualmente desde quando era menor de idade, aos 16 anos, época em que conheceu os investigados.
“Ainda segundo a defesa, há indícios nas investigações de que as solicitações para a produção e envio de vídeos e imagens de crianças teriam começado quando a jovem completou 18 anos, momento em que o empresário passou a ter um caso extraconjugal com a babá e a pagar uma mesada para ela. Depois passou a chantageá-la, exigindo fotos e se não as enviasse, cortaria a mesada.”
O advogado informou que apresentará à Justiça provas e evidências sobre o contexto em que a jovem foi inserida desde a adolescência, e adiantou que ingressará com um pedido de prisão domiciliar para Tafnes.
O espaço segue aberto para manifestação da defesa do empresário Fábio Serafim de Oliveira.
O que diz a esposa de Fábio?
O CN NEWS MT, teve acesso ao depoimento relatado pela esposa de Fabio. Verginia, que está sendo investigada, em tese, também pelos crimes de estupro de vulnerável e os previstos nos artigos 241-A e 241-B, disse que conhecia a babá Tafnes Cavalheiro, que ela trabalhou em sua casa e afirmou que ela, o marido e a babá fizeram sexo a três e que Tafnes lhe enviou mensagens pelo WhatsApp, pedindo-lhe ajuda em dinheiro, e que depois Tafnes passou a encaminhar conteúdos sexuais tanto para Fábio quanto para ela.
Verginia disse também que Tafnes enviou vídeos e fotos dela com outra mulher e que também lhe enviou vídeos mostrando as partes da criança, que ela visualizou e depois apagou.
Verginia disse que sabia que Fábio também estava recebendo vídeos e fotos enviados por Tafnes e que ela teria dito a Fábio para ele bloquear Tafnes. Verginia também disse que foi negligente ao não informar à polícia sobre as fotos e vídeos contendo imagens de crianças nuas.
