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Gaeco estranha mudança de empresária e suspeita de destruição de provas da Operação Safra Desviada

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A mudança da empresária Marianna Costa Araújo Duarte Mota de Lucas do Rio Verde para um condomínio de alto padrão em Sinop foi usada como um dos fundamentos para Justiça autorizar mandados de busca com caráter itinerante na segunda fase da Operação Safra Desviada, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que foi deflagrada no último dia 24. A juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Sinop, cita que a filha do empresário Renato Antônio Duarte, apontado como um dos líderes do suposto esquema investigado pelo Gaeco, teria trocado de endereço logo após a primeira fase da operação sem informar as autoridades.

As investigações suspeitam que a mudança teria sido uma estratégia para atrapalhar as investigações. “O Relatório de Informações do Gaeco demonstra que, logo após a deflagração da primeira fase da operação, a investigada Marianna Costa Araújo Duarte Mota mudou-se de forma repentina de seu endereço em Lucas do Rio Verde/MT para o Condomínio Carpe Diem, em Sinop/MT, sem qualquer comunicação às autoridades”, traz decisão.

Na mesma fundamentação, o Gaeco acrescenta que diligências realizadas em Pernambuco apontaram que empresas ligadas a Renato e Marianna não funcionavam nos endereços cadastrados. “Tais circunstâncias evidenciam uma prática característica de organizações criminosas estruturadas, cujos membros alteram constantemente seus endereços residenciais e as sedes de suas pessoas jurídicas com o propósito de ocultar bens, destruir provas e se furtar à ação da Justiça”, alerta.

O Ministério Público estima que os prejuízos causados às vítimas cheguem, preliminarmente, a R$ 28,77 milhões. Segundo a decisão, Renato Antonio Duarte é apontado pela investigação como “sócio-proprietário das algodoeiras e um dos possíveis líderes do esquema, com atuação direta nas fraudes contratuais, na gestão das empresas envolvidas e na ocultação de documentos, inclusive mediante suposto uso de aeronave.”

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Já Marianna é descrita como administradora das unidades de beneficiamento, havendo indícios de que teria impedido o acesso de funcionários do Grupo Lermen às algodoeiras para dificultar a fiscalização, além de apresentar “indícios de ocultação de paradeiro após a operação.” A decisão também detalha como funcionaria o suposto esquema investigado pelo Gaeco. Conforme a magistrada, a representação individualizou o papel de cada unidade da Algodoeira Lucas Cotton.

A matriz, em Lucas do Rio Verde, concentraria “decisões gerenciais, registros contábeis e documentos do grupo econômico supostamente utilizado para a prática das fraudes e para a movimentação de valores.” A filial de Nova Ubiratã, na Fazenda Vale do Rio Celeste, “teria sido utilizada para a manipulação do beneficiamento e da classificação do algodão das vítimas. “Já a unidade de Sorriso, na Fazenda Paranatinga, é apontada como local de interesse para a investigação após a notícia da retirada de caixas de documentos no dia da primeira fase da operação e da criação de obstáculos para impedir a fiscalização das vítimas.

De acordo com o Ministério Público, Renato e Marianna comandavam uma fraude na classificação visual do algodão. A investigação sustenta que plumas de melhor qualidade eram rebaixadas artificialmente, provocando descontos e cancelamentos de contratos. Na sequência, conforme a representação, o algodão era direcionado para empresas parceiras por meio de cessões de crédito consideradas fraudulentas, desviando recursos do Grupo Lermen.

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