PC apreende Porshe, Mercedes e pistola em esquema de R$ 5 milhões

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Carros de luxo e uma arma de fogo foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca, apreensão e prisão da Operação Domínio Fantasma, da Polícia Civil, na manhã desta terça-feira (11). A ação tem o objetivo de desarticular esquema criminoso milionário comandado por um contador envolvido em fraudes eletrônicas e a criação de empresas de fachadas para lavagem do dinheiro adquirido com o crime. Estima-se que R$ 5 milhões tenham sido movimentados com os golpes

Entre os veículos estão um luxuoso Porsche Cayenne de cor branca, uma Mercedes GLA 200 prata e um Ford Fusion preto. Um montante de dinheiro em notas de plástico foi encontrado em uma bolsa Kirvano, marca de uma plataforma de pagamentos e ferramentas para a venda de produtos digitais, como cursos online, e-books e mentorias. Quando o ‘empresário’ atinge R$ 100 mil em vendas recebe uma. 

Além disso, uma arma de fogo, de calibre não identificado, foi achada em uma mochila. O principal investigado da operação é um contador que utilizava seus conhecimentos técnicos para abrir centenas de empresas fictícias (CNPJs) e aplicar golpes de comércio eletrônico em todo o país. Ele é acusado de associação criminosa, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e crimes contra as relações de consumo.

Durante a ação policial, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, duas medidas cautelares alternativas à prisão, além do sequestro de R$ 5 milhões em valores, dois imóveis e cinco veículos de luxo. As diligências ocorreram em Cuiabá e Sorriso.

Também foram executadas sete ordens de quebra de dados telemáticos, duas de suspensão de perfis em redes sociais, três para retirada de sites do ar e outras três para interromper atividades econômicas ligadas ao grupo. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), apontam fortes indícios de que os suspeitos atuavam de forma organizada e estável, utilizando empresas de fachada para movimentar e ocultar milhões de reais obtidos por meio de fraudes digitais.

A investigação teve início após um alerta da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), que identificou a abertura de diversas empresas por um mesmo contador, a maioria registrada em um único endereço de Cuiabá. O levantamento revelou que entre 2020 e 2024 o investigado criou 310 empresas — sendo que 182 já estavam inativas ou suspensas. No local indicado como sede das empresas funcionava apenas uma pequena sala comercial sem identificação, mas que servia como endereço oficial de várias delas.

Nas redes sociais, o contador se apresentava como “contador digital”, especialista em dropshipping — modelo de e-commerce no qual o vendedor atua apenas como intermediário entre fornecedor e cliente, sem manter estoque — e em iGaming, setor voltado a jogos de azar online.

Para aplicar os golpes, ele abria CNPJs em nome de “laranjas”, geralmente jovens de baixa renda de outros estados, usados como fachada. Com esses registros, criava sites falsos de lojas virtuais em diferentes segmentos, como roupas, brinquedos e cosméticos.

As páginas eram promovidas por meio de anúncios pagos nas redes sociais. Em um dos casos, o grupo chegou a clonar o site de uma conhecida marca de cosméticos para enganar consumidores.

Diversas vítimas de diferentes regiões do país relataram ter feito compras nesses sites, pagando via Pix ou cartão, mas nunca receberam os produtos. As falsas lojas acumulavam dezenas de reclamações em plataformas como o “Reclame Aqui”.

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