O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que sua ida à Assembleia Legislativa em meio à crise dos contratos consignados foi um gesto de humildade para restabelecer o diálogo entre os Poderes. Ele participou pessoalmente de uma reunião do Colégio de Líderes, em um movimento raro na relação entre Executivo e Legislativo, levando em mãos um projeto de lei para dar resposta concreta ao impasse, algo que o governador Mauro Mendes (União Brasil) costuma terceirizar ao secretário-chefe da Casa Civil.
“Eu acho que é um gesto, né? Eu acho que é um gesto, já que nós somos aqui comandados pelo Poder Legislativo, que os representantes do povo são os deputados. Eles fazem as leis e fiscalizam a aplicação, a boa aplicação das leis. Então, é normal o governante, estando aqui de plantão como eu estava, e naquele momento que tinha alguma insatisfação entre os Poderes, ir lá e estender a mão e se colocar à disposição para esclarecer as dúvidas que porventura existam. É um gesto de humildade que, para mim, eu não tenho nenhuma dificuldade de fazer isso todas as vezes que for necessário”, afirmou Pivetta.
A iniciativa ocorreu em junho, no ápice da crise envolvendo irregularidades e falta de transparência em contratos de crédito consignado firmados por servidores públicos com instituições financeiras. Deputados ameaçavam abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e o clima entre os Poderes era de desconfiança. Foi nesse cenário que Pivetta foi pessoalmente ao Legislativo, conversou com parlamentares e apresentou um projeto de lei para regulamentar os contratos futuros, medida que ajudou a conter os ânimos e esfriar a pressão.
Contraste
A ida de Pivetta chamou atenção porque foi a primeira vez em anos que o governador foi pessoalmente à Assembleia para dialogar e levar um projeto de lei durante uma crise política. O governador Mauro Mendes, por outro lado, tem adotado como prática delegar essa função ao secretário-chefe da Casa Civil, antes Mauro Carvalho e atualmente Fabio Garcia, ou convocar os deputados ao Palácio Paiaguás, evitando se deslocar ao Parlamento.
A presença de Pivetta foi apontada como decisiva para evitar o avanço de uma CPI. À época, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), elogiou a iniciativa. “Prevaleceu a maturidade”, afirmou após o encontro, sinalizando que a interlocução direta surtiu efeito.
O ex-presidente da Casa de Leis, deputado Eduardo Botelho (União), chegou a classificar a ida como “balde de água fria” em quem queria criar uma CPI. “Ele [Pivetta] fez o que os secretários já deveriam ter feito lá atrás: assumir a responsabilidade. Admitiu que o Estado errou, que houve falhas lá dentro e que iria trabalhar para corrigir. Para mim, foi um ponto de virada e um balde de água fria para os deputados que queriam criar uma CPI”, disse Botelho.


