A senadora Margareth Buzetti (PSD) questionou nesta semana programas sociais do governo Lula (PT), como o vale-gás e a isenção da tarifa de energia para famílias com renda. Segundo ela, esses programas têm caráter eleitoral e os custos da isenção acabam sendo repassados ao “consumidor final”.
Para a senadora, é contraditório que o governo mire em programas sociais quando tenta elevar as alíquotas do Imposto de Operações Financeiras (IOF) em busca de mais arrecadação. Ela afirmou que a economia não está bem e o que tem salvado a balança comercial é o agronegócio.
“Pra que lançar vale-Gás se nós estamos com problema de caixa? O Brasil está com problema, está dizendo que tem que cobrar o IOF maior, um projeto do IOF que o Congresso não aprova e lança Vale-Gás, Vale Luz, isenta as pessoas na energia. Quem paga isso? Quem paga? Mas quem paga é o consumidor final”, questionou Buzetti em entrevista à imprensa.
“Porque se nós pagarmos mais caro o IOF, qualquer empresário pagar mais caro o IOF já está pagando, porque hoje a MP está valendo, ela não está suspensa, vai para o produto final. Então essas ações populistas realmente não concordo”, completou.
O desenho do novo Vale Gás está pronto e tem como objetivo garantir botijão de gás gratuitamente para cerca de 22 milhões do CadÚnico ao custo de R$ 5 bilhões por ano.
Já a isenção de energia prevê gratuidade para famílias com renda per capita de até meio salário mínimo e consumo de até 80 kWh mensais.A também a redução na conta de energia para famílias com renda per capita entre meio e um salário mínimo, com consumo de até 120 kWh.
A senadora também foi questionada sobre uma declaração sua sobre o Bolsa Família que gerou polêmica. Buzetti, no entanto, afirmou que não criticou o programa, mas sim defendeu a possibilidade de as pessoas que recebem o benefício poderem trabalhar com carteira assinada. “Eu critiquei a impossibilidade de trabalhar com carteira assinada”, esclareceu.
“Foi isso que eu falei, porque daí sim você consegue gerar mais renda para esse trabalhador, ele vai contribuir com a previdência, porque senão você dá para ele a chance, ‘ah, eu vou dar o Bolsa Família, R$ 600, R$ 700’. Mas a pessoa não pode trabalhar com carteira assinada porque ela pede o auxílio. Aí a pessoa quer trabalhar, mas não quer ser registrada. Um empresário pode fazer isso? Não pode. E não deve fazer isso. Então é isso que eu falei, que as pessoas vão pedir emprego, mas não querem ser registradas, gente, por causa disso”.
Ela defendeu a existência dos programas sociais, mas sugeriu que a faixa de renda deveria ser ampliada para pelo menos um salário mínimo. “É ilusão dizer que [somente quem ganha] até meio salário mínimo vai receber Bolso Família. Ninguém recebe só meio salário mínimo. Hoje a pessoa fazendo bico recebe muito mais. [trabalhando] ela poderia contribuir com a previdência, ela poderia gerar mais renda para ela, para todo mundo”.