O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso foi marcado por um momento de tensão ao tratar da inclusão de crianças neurodivergentes, quando o senador Wellington Fagundes (PL) associou o tema à dependência química e a pessoas “drogadas”. A comparação provocou uma intervenção imediata do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que lembrou ter um neto autista e afirmou que o debate tratava de políticas de inclusão para crianças com necessidades específicas.
O episódio se somou a uma série de confrontos sobre feminicídio, infraestrutura, saúde, reforma tributária e combate ao garimpo ilegal. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) també participou do evento produzido pela Centro América FM e o pportal Primeira Página, nesta terça-feira (18). Ela foi a primeira a questionar Pivetta sobre o tema de infraestrutura. Ela criticou as condições de rodovias do Estado e citou estradas que, segundo ela, estariam em situação precária. Pivetta rebateu as críticas e destacou as obras de duplicação da BR-163.
O governador afirmou que a intervenção contribuiu para reduzir acidentes e salvar vidas. Em tom mais duro, disse que, durante uma campanha eleitoral, “vale tudo até calúnia”. Na sequência, Wellington questionou Natasha sobre as mudanças climáticas e as políticas ambientais para Mato Grosso.
NEURODIVERGENTES E DROGADOS
Ao fazer sua pergunta, Pivetta escolheu como tema a inclusão de crianças neurodivergentes nas escolas e questionou Wellington sobre as políticas que pretende adotar para esse público. Durante a resposta, Wellington citou a situação da saúde mental e fez referência ao Hospital Adauto Botelho e pessoas ‘drogadas’.
“Realmente essa questão com a droga, após a pandemia, as doenças psicológicas, impactos que aconteceram. Precisamos fazer que isso seja enfrentado com dureza e não com empirismo. Só quem tem uma pessoa drogada sabe como isso é difícil para a família”, disse Fagundes.
Pivetta interrompeu para recolocar o foco no tema da inclusão. “Nós estamos falando de crianças neurodivergentes, candidato, de plano de inclusão, de quem precisa de atenção especial. Eu tenho neto que tem autismo e aprendi com ele o quanto é complexa a vida de uma criança e adolescente que tem autismo. Não é cuidar de quem tem insanidade mental, é cuidar dessas crianças”, afirmou.
Sobrou a Wellington criticar a atual administração e disse que o governo tentou retirar recursos destinados às Apaes, mas que o Congresso Nacional impediu a medida. Pivetta rebateu e afirmou que sua gestão reformou o Hospital Adauto Botelho e trabalha para ampliar as políticas de inclusão de pessoas neurodivergentes em Mato Grosso.
REFORMA TRIBUTÁRIA E INDUSTRIALIZAÇÃO
A reforma tributária também entrou no debate. Natasha voltou a questionar Pivetta sobre as estratégias do Estado diante das mudanças no sistema de arrecadação. O governador defendeu uma política voltada à geração de empregos, aumento da população e expansão da economia. Segundo ele, Mato Grosso precisa estimular a agroindustrialização e preparar os jovens, especialmente durante o ensino médio, para o mercado de trabalho.
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Natasha rebateu afirmando que a arrecadação estadual ainda depende fortemente do ICMS e avaliou que os incentivos fiscais concedidos ao setor do agronegócio sofrerão mudanças até 2029. Ela defendeu maior industrialização do Estado.
Pivetta afirmou que pretende implantar uma indústria têxtil em Mato Grosso. Natasha, por sua vez, questionou por que a proposta não foi colocada em prática anteriormente, considerando o período em que o republicano esteve como vice-governador.
O governador respondeu que recebeu um Estado em dificuldades financeiras e precisou primeiro reorganizar as contas públicas. Também voltou a citar os investimentos realizados em aproximadamente 7 mil quilômetros de rodovias. Natasha criticou a gestão e afirmou que o governo priorizou obras, mas “não cuidou de pessoas” e teria abandonado parte da população.
FEMINICÍDIO
A violência contra as mulheres também provocou embate entre os candidatos. Wellington perguntou a Natasha o que deveria ser feito para que Mato Grosso deixasse de aparecer entre os estados com altos índices de feminicídio e violência contra a mulher.
A candidata criticou a atual administração e afirmou que o governo “não fez nada” para enfrentar o problema. Ela também citou os índices de violência contra mulheres no Estado. Wellington prometeu ampliar a rede de proteção e declarou que, caso seja eleito, nenhuma mulher ficará sozinha diante de um agressor.
GARIMPO ILEGAL
O momento mais acalorado ocorreu quando Wellington questionou Pivetta sobre o combate ao garimpo ilegal em Mato Grosso. Ao formular a pergunta, o senador citou acusações envolvendo o governador e familiares. “Não vou aceitar que ninguém do meu governo aja ilegalmente. O seu governo está sendo acusado pelo STJ de garimpo ilegal, crime que envolve familiares dele”, afirmou Pivetta.
Pivetta reagiu dizendo que o senador “falta com a verdade”. O gestor defendeu o trabalho das forças de segurança e afirmou que Mato Grosso possui efetivo policial suficiente para combater a atividade ilegal, além da atuação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
O candidato também defendeu que a mineração seja transformada em uma fonte de riqueza para toda a sociedade mato-grossense. Em outro ataque à atual gestão, Wellington afirmou que o problema estaria relacionado à “panelinha do governo”, que, segundo ele, seria responsável pela prática de garimpo ilegal.