Mato Grosso deve receber um dos maiores pacotes de investimentos em infraestrutura elétrica da sua história. A Energisa Mato Grosso assinou, na última sexta-feira (8), junto ao Ministério de Minas e Energia, o contrato de renovação da concessão do serviço de distribuição de energia elétrica no estado por mais 30 anos e anunciou um plano de investimentos de R$ 9,3 bilhões entre 2026 e 2030.
O valor representa um aumento de 38% na média anual de investimentos em relação ao ciclo anterior e chega em um momento de forte expansão econômica, agrícola e populacional em Mato Grosso.
Na prática, o plano prevê ampliação das redes elétricas, modernização do sistema de distribuição, construção de novas subestações e chegada da energia elétrica a milhares de novas residências, propriedades rurais e empreendimentos.
Segundo a concessionária, R$ 6,4 bilhões serão destinados à expansão da rede, permitindo mais de 315 mil novas ligações elétricas. Outros R$ 2,8 bilhões serão aplicados em obras de melhoria, modernização e aumento da eficiência operacional.
Para o diretor-presidente da Energisa Mato Grosso, Marcelo Vinhaes, o novo contrato representa uma nova fase para o setor elétrico estadual.
“O aumento no valor investido em Mato Grosso representa a renovação do nosso compromisso com cada cliente, com a qualidade do fornecimento de energia segura e a tarifa justa”, afirmou.
Energia para acompanhar o crescimento de Mato Grosso
O avanço do agronegócio e da industrialização é um dos principais fatores que impulsionam os novos investimentos.
Nas regiões de Rondonópolis, Sinop e Sorriso, consideradas polos estratégicos da produção agrícola, estão previstas novas linhas de transmissão em alta tensão e construção de subestações para ampliar a capacidade energética.
Somente em Rondonópolis, o plano inclui duas novas subestações e uma linha de distribuição de 138 kV com 52 quilômetros de extensão. Já em Sinop e Sorriso, serão implantadas três novas linhas de alta tensão, totalizando 113 quilômetros, além de duas novas subestações.
A intenção é garantir estrutura energética capaz de acompanhar o crescimento das cadeias de soja, milho, algodão, etanol, logística e expansão imobiliária.
Impacto chega a cidades, comunidades rurais e aldeias indígenas
Além das regiões urbanas e industriais, os investimentos também devem alcançar áreas remotas do estado, incluindo comunidades rurais, distritos e aldeias indígenas.
No Território Indígena do Xingu, por exemplo, a chegada da energia elétrica tem provocado mudanças significativas na educação e na rotina das famílias.
O professor Kaomi Kaiabi, da aldeia Wawi, relata que o acesso à energia trouxe melhorias importantes para o ensino.
“A energia elétrica desperta mais vontade de aprender, porque permite imprimir atividades, usar novos materiais pedagógicos e tornar as aulas mais interativas”, explicou.
Moradores acompanham evolução do serviço
Quem vive em cidades do interior também percebe as transformações ao longo das últimas décadas.
A aposentada Ilza Leonardi, moradora e uma das fundadoras de Nova Maringá, lembra das dificuldades enfrentadas quando a energia dependia de motores a diesel.
“Eu vivi a dificuldade de ter energia com motor a diesel. De uns anos pra cá, a qualidade vem melhorando e, com isso, a minha qualidade de vida também”, relatou.
Investimento recorde já em 2026
A Energisa prevê investir R$ 2,1 bilhões somente em 2026, valor considerado recorde pela companhia.
Segundo a empresa, os recursos fazem parte de um planejamento voltado para acompanhar o crescimento acelerado de Mato Grosso nos próximos anos, especialmente em áreas ligadas ao agronegócio e à expansão urbana.
Mais de R$ 9 bilhões investidos desde 2014
Presente em Mato Grosso desde 2014, a Energisa afirma já ter investido mais de R$ 9 bilhões no estado ao longo da última década.
Entre os avanços destacados pela companhia estão:
• 1.500 km de linhas de alta tensão;
• 88 mil km de redes de média tensão;
• 42 novas subestações;
• ampliação de 27% da capacidade de distribuição;
• universalização do acesso à energia em 2021;
• integração da última região do estado ao Sistema Interligado Nacional em 2022;
• inauguração da primeira subestação digital de 138 kV do Brasil em 2024.
Atualmente, a distribuidora atende cerca de 1,7 milhão de clientes em Mato Grosso.