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Impostos de transportadoras do agro podem subir mais de 400% com reforma tributária, aponta estudo

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Empresas especializadas no transporte de cargas ligadas ao agronegócio podem enfrentar aumento médio superior a 400% na carga tributária com a implantação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária.

A estimativa consta em um estudo elaborado pela consultoria Rumo Brasil com dados de empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas. O levantamento considerou operações realizadas ao longo de 2025 e apontou um impacto financeiro superior a R$ 140 milhões.

Segundo o CEO da consultoria, Rafael Brito, o objetivo foi calcular os possíveis efeitos das novas regras a partir de informações reais das companhias.

“O debate sobre a reforma tributária tem sido marcado por muitas interpretações e projeções, mas ainda havia pouca informação baseada em dados concretos das empresas. Nosso objetivo foi transformar essa discussão em números, permitindo que o setor compreenda, de forma prática, os efeitos da nova legislação sobre suas operações”, afirmou.

A análise foi desenvolvida durante três meses e levou em consideração documentos fiscais, demonstrações contábeis, obrigações acessórias e controles internos das empresas participantes.

Subcontratações aumentam impacto tributário

O cálculo considera apenas os efeitos da CBS, que substituirá o PIS e a Cofins. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) não foi incluído na projeção, pois terá implantação gradual e regras próprias para o aproveitamento de créditos tributários.

Juntas, as empresas analisadas possuem faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões e movimentam cerca de R$ 5 bilhões em subcontratações.

Conforme o estudo, esse modelo operacional contribui diretamente para o aumento projetado da tributação, principalmente diante das novas exigências para o reconhecimento e o aproveitamento de créditos fiscais.

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A subcontratação é comum no setor de transporte de cargas. Nesse sistema, uma empresa responsável pela operação contrata outros transportadores, inclusive autônomos, para realizar parte ou todo o serviço.

Com as mudanças tributárias, a possibilidade de utilização dos créditos dependerá do enquadramento da operação, da regularidade dos documentos fiscais e da forma como cada serviço será contratado e registrado.

Empresas terão de reforçar controle de documentos

O levantamento aponta que a reforma também deverá exigir mudanças na gestão tributária e operacional das transportadoras.

Contratos, notas fiscais, pagamentos e demais documentos relacionados às operações terão influência direta na apuração dos tributos. Falhas ou inconsistências podem reduzir o aproveitamento de créditos e elevar os custos das empresas.

Por isso, o estudo destaca a necessidade de reforçar os controles internos, revisar contratos e acompanhar todas as etapas da cadeia de prestação dos serviços.

Aumento pode chegar a outros setores

O possível impacto não deve ficar restrito às transportadoras. Como o transporte rodoviário participa de praticamente todas as cadeias produtivas, uma elevação dos custos pode ser repassada aos embarcadores, indústrias e distribuidores.

Posteriormente, parte desse aumento poderá chegar ao preço dos produtos destinados ao consumidor final.

O levantamento representa uma projeção baseada nas operações das empresas analisadas. O impacto efetivo dependerá da regulamentação, do período de transição, do aproveitamento dos créditos tributários e da adaptação de cada companhia às novas regras.

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