A Polícia Militar interrompeu, na madrugada desta sexta-feira (21), uma sessão de “tribunal do crime” que seria realizada por integrantes de uma facção criminosa em Paranatinga (373 km de Cuiabá), salvando uma adolescente de 16 anos que aguardava para ser torturada após ser acusada de “traição” a um preso ligado ao grupo.
FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: GRUPO DO WHATSAPP | INSTAGRAM DO CN NEWS MT
A ação ocorreu por volta das 2h, após uma denúncia anônima informar que uma residência no bairro Concórdia estaria sendo usada para julgamentos e punições impostas pela facção Comando Vermelho. Quando os policiais chegaram ao local, vários suspeitos tentaram fugir pelos muros, mas foram detidos. Apenas um conseguiu escapar.
Dentro da casa, os militares encontraram três vítimas — um homem de 24 anos e duas mulheres de 22 e 16 anos — que aguardavam, aterrorizados, para serem “sentenciados”. A adolescente de 16 anos estava chorando, sentada em um banco, à espera das agressões que seriam autorizadas por um homem identificado apenas como “Padrinho”, contatado por videochamada pelos criminosos.
Segundo os relatos, o homem de 24 anos foi retirado à força do local de trabalho por membros da facção e levado até a residência. Já as duas mulheres foram obrigadas a comparecer ao ponto sob ameaça por telefone. A adolescente foi acusada de manter relacionamento extraconjugal enquanto seu ex-companheiro — apontado como mandante — cumpre pena.
Durante a sessão criminosa, a vítima foi interrogada sobre detalhes de relacionamentos pessoais e passou a receber ameaças de morte. Uma das suspeitas afirmou que ela poderia ser decapitada e esquartejada. As vítimas relataram também agressões verbais constantes. A intervenção policial impediu que as torturas avançassem para agressões físicas graves.
Além de impedir o crime, a guarnição constatou que a casa funcionava como ponto de venda de drogas da facção. No local foram apreendidos 19 papelotes de cocaína, um de maconha, R$ 1.377 em dinheiro, seis celulares, uma corda usada para amarrar as vítimas, um pedaço de madeira empregado para agressões e uma faca.
Seis suspeitos — homens de 16, 18, 19 e 20 anos e mulheres de 15, 20 e 21 anos — foram detidos e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil. O caso foi registrado como associação para o tráfico, tortura mediante sequestro e tortura para obtenção de informação.