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Família proíbe pré-candidato de usar assassinato da ex-mulher e filhas para promoção eleitoral

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A família de Cleci Calvi Cardoso e de suas três filhas, assassinadas em Sorriso em novembro de 2023, publicou uma carta na qual proíbe o uso político e eleitoral da tragédia que vitimou quatro pessoas. A carta, divulgada nas redes sociais do jornalista Roberto Santos, de Sorriso, é assinada por Valdete Calvi, irmã de Cleci, e dirige-se de forma clara ao pai das meninas, Regivaldo Cardoso, que se tornou uma figura pública após o crime e agora é pré-candidato a deputado federal.

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No texto, a família diz que “não autoriza, em nenhuma hipótese, o uso da imagem, do nome, da memória ou da história da família para fins políticos, eleitorais ou midiáticos”. 

A declaração é uma resposta direta à atuação de Regivaldo, que acumula aparições em programas de TV, podcasts e entrevistas sobre o caso e utiliza suas redes sociais – onde soma quase 50 mil seguidores no Instagram – para manter o assunto em evidência sob o mote de “dar voz” as vítimas da violência e “endurecer as leis”.

“Nossa dor não é bandeira. Nossa história não é ferramenta eleitoral”, afirma Valdeti Calvi no manifesto. Ela deixa claro que não se opõe à candidatura do ex-marido de sua irmã, mas exige que qualquer eventual eleição seja conquistada “por mérito próprio, por suas ideias, propostas, capacidade e compromisso”, e não pela “instrumentalização de uma dor que não pode ser convertida em discurso político”.

Regivaldo filiou-se ao partido Novo e pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Sua plataforma tem como base a defesa de vítimas da violência e a luta por penas mais duras.

O crime que vitimou Cleci e as três meninas – Milianne, 19; Manuela, 12; e Melissa, 10 anos – motivou a criação do Pacote Antifeminicídio , proposto pela então senadora Margareth Buzetti (PP) e sancionada pelo presidente Lula (PT). A lei aumentou a pena máxima para feminicídio para 40 anos, equiparou o crime aos hediondos e tornou mais rígida a progressão de regime.

O autor dos crimes, Gilberto Rodrigues dos Anjos, 34, foi condenado a 225 anos de prisão em julgamento realizado em agosto deste ano. A família diz que agora busca proteger a memória das vítimas da exposição política. O manifesto conclui: “A memória das meninas não será usada como argumento político”.

Leia a carta na íntegra

“Diante do cenário político que se aproxima no ano de 2026, me manifesto de forma clara, responsável e inequívoca.

Minha irmã e minhas sobrinhas foram vítimas de um crime brutal que marcou de forma irreversível a história da nossa família. Trata-se de uma dor permanente, que não pode ser relativizada, explorada ou utilizada como instrumento de promoção pessoal ou política.

É de conhecimento público que o pai das meninas, em razão da repercussão desse episódio, tornou-se uma figura conhecida e hoje se apresenta como pré-candidato a cargo eletivo. Diante disso, é imprescindível registrar que não autorizamos, em nenhuma hipótese, o uso da imagem, do nome, da memória ou da história da família para fins políticos, eleitorais ou midiáticos.

Reafirmo, contudo, que não me oponho à sua candidatura. Desejo, inclusive, que ele possa alcançar êxito, desde que isso ocorra por mérito próprio, por suas ideias, propostas, capacidade e compromisso com a sociedade e não pela associação à tragédia que atingiu nossa família.

A eventual eleição deve ser fruto de projetos concretos, responsabilidade pública e atuação humana e ética, jamais da instrumentalização de uma dor que não pode ser convertida em discurso político.

Nossa dor não é bandeira. Nossa história não é ferramenta eleitoral. A memória das meninas não será usada como argumento político. Este manifesto tem como finalidade estabelecer limites claros, resguardar a dignidade das vítimas e reafirmar que a memória de minha irmã e de minhas sobrinhas deve ser preservada com respeito, humanidade e silêncio jamais explorada. Este é meu posicionamento”. 

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