MP abre procedimento após áudios vazados sugerirem abuso policial em Sorriso

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O promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino instaurou procedimento administrativo para apurar supostas condutas ilegais atribuídas a policiais civis da Delegacia de Sorriso (420 km de Cuiabá). A medida foi adotada após a divulgação de reportagens que apontam o vazamento de mensagens e áudios de um grupo de WhatsApp supostamente formado por agentes da unidade policial.

De acordo com a portaria, o procedimento foi aberto de ofício no âmbito do controle externo da atividade policial, com o objetivo de verificar a autenticidade, a integridade, o contexto e a autoria do material divulgado. O promotor determinou o envio de ofícios para que sejam juntadas aos autos cópias integrais das reportagens, além de prints, áudios e demais elementos relacionados ao caso, com preservação adequada para análise técnica posterior.

O pedido foi motivado pelo conteúdo das conversas vazadas, atribuídas ao grupo denominado “DHPP/Assuntos Oficiais”. Nos áudios, aos quais, há indícios de truculência, intimidação de suspeitos e banalização de mortes em supostos confrontos policiais. Em um dos trechos, integrantes fazem referência a “diálogo à moda antiga” e a “tratamento VIP” como forma de obter informações, além de comentários que insinuam execuções.

Em outra mensagem, um dos participantes ironiza situações envolvendo mortes, enquanto outro questiona: “Quem é que vai matar um cara, executado, no mato e trazer duas testemunhas?”. Também há insinuações sobre execuções atribuídas a policiais militares.Na portaria, o Ministério Público destaca que a ampla divulgação do material na imprensa ocorreu antes de comunicação formal aos órgãos de controle, o que, segundo o promotor, exige atuação imediata para resguardar a regularidade administrativa, a credibilidade institucional e a higidez das investigações.

O documento reforça ainda que cabe ao Ministério Público exercer o controle externo da atividade policial, apurar notícias de possíveis ilícitos penais ou irregularidades funcionais e adotar providências para eventual responsabilização de agentes públicos.

Em nota, a Polícia Judiciária Civil informou que as mensagens teriam vazado após o furto de um celular ocorrido dentro de uma delegacia e que o caso será apurado para verificar a veracidade do conteúdo, o contexto das mensagens e eventual desvio de conduta de policiais envolvidos. 

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