O CN NEWS MT, apurou que o cenário das empresas em crise no Brasil sofreu uma transformação profunda nos últimos cinco anos. Se a pandemia de 2020 foi o “choque” inicial, o ano de 2025 consolidou-se como o verdadeiro pico de estresse financeiro, superando recordes históricos. O número de empresas em RJ (recuperação judicial) bateu recorde ao totalizar 5.680 no final de 2025. A alta é de 24,3% na comparação com 2024, quando atingiu 4.568. Ao se levar em consideração os setores, o número maior de empresas em recuperação judicial é se refere a serviços (1.302). A alta foi de 19,9% em 2025 ante 2024.A maior variação, entretanto, foi da agropecuária: avanço de 67,1%. A quantidade de empresas em recuperação judicial saltou de 295 em 2024 para 493 no ano passado.
📈 Evolução dos Pedidos de Recuperação Judicial (2020–2025)
Os dados mostram que 2021 foi o ano com o menor índice, devido às medidas emergenciais. O salto começou em 2023 e explodiu em 2024 e 2025.
| Ano | Total de Pedidos de RJ | Crescimento / Contexto |
| 2020 | 1.179 | Impacto inicial da pandemia; medidas de socorro (Pronampe) seguraram falências. |
| 2021 | 891 | Redução artificial devido à continuidade de carências bancárias e auxílios. |
| 2022 | 833 | Estabilidade relativa antes da alta dos juros (Selic). |
| 2023 | 1.405 | Início da escalada (alta de 68% ante 2022) com o fim das carências. |
| 2024 | 4.568 | Recorde da série histórica até então, impulsionado por Micro e Pequenas Empresas. |
| 2025 | 5.680* | Novo recorde histórico. Salto de 24,3% no estoque de empresas em RJ no país. |
Os dados de 2025 referem-se ao total de empresas enfrentando processos de RJ (estoque) segundo o Monitor RGF, refletindo o acúmulo de novos pedidos recordes iniciados em 2024.
🏗️ Setores Mais Afetados
Atualmente, a crise não é mais exclusiva do comércio de rua. Houve uma mudança no perfil das empresas que buscam socorro judicial:
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Serviços (Líder Absoluto): Responsável por cerca de 40% a 50% dos pedidos. Inclui desde tecnologia até logística e hotelaria, setores que sofrem com a inflação de custos e queda no consumo das famílias.
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Comércio: O varejo físico continua pressionado pela concorrência digital e pelo alto custo do capital de giro.
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Agronegócio (O Novo Alerta): Este é o grande destaque de 2025. O setor registrou um aumento de mais de 50% nos pedidos em relação a 2024, impulsionado pela queda nos preços das commodities (soja e milho) e problemas climáticos.
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Indústria: Sofre com a baixa competitividade e o encarecimento de insumos importados.
📍 Mapa da Crise: Estados com Maiores Índices
A concentração de pedidos segue o eixo de maior atividade econômica, mas com um avanço notável no Centro-Oeste devido à crise no campo.
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São Paulo: Lidera isolado com aproximadamente 1,67 mil empresas em RJ em 2025, concentrando a maior parte dos serviços e indústrias.
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Mato Grosso: Tornou-se o epicentro da crise no agronegócio, liderando os pedidos do setor com mais de 330 solicitações em 2025.
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Rio Grande do Sul: O estado enfrentou uma alta severa, agravada pelos desastres climáticos que impactaram a infraestrutura local.
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Goiás e Paraná: Também figuram no “Top 5”, muito afetados pela cadeia produtiva de grãos e pecuária.
O Reflexo em 2025: Por que o número explodiu agora?
Diferente de 2020, onde o problema era a interrupção súbita das vendas (lockdown), o cenário de 2025 é o reflexo de uma “ressaca financeira”:
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Juros Reais Elevados: Com a Selic em patamares restritivos por muito tempo, o custo de rolar dívidas feitas na pandemia tornou-se insustentável.
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Inadimplência das Famílias: O consumo travou, reduzindo o fôlego de caixa das empresas.
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Maturidade das Dívidas: Muitos empréstimos tomados em 2020/2021 (como o Pronampe) tiveram suas carências encerradas, e as empresas não geraram lucro suficiente para honrar as parcelas atuais.
Desenvolvido pela consultoria RGF, o Monitor de Recuperação Judicial é uma plataforma inédita que reúne dados sobre a saúde financeira das empresas brasileiras a partir de um recorte objetivo: as companhias que efetivamente entraram em Recuperação Judicial – ou seja, com pedidos já aceitos pela Justiça.“Empresas que apenas solicitaram recuperação judicial podem ter o pedido negado. Já o Monitor só considera aquelas que entraram oficialmente em RJ”, afirma Rodrigo Gallegos, sócio da RGF e especialista em reestruturação e idealizador do monitor. A plataforma utiliza dados da Receita Federal, que armazena informações cadastrais de pessoas jurídicas e entidades de interesse das administrações tributárias da União, estados, Distrito Federal e municípios. Exclui da análise para evitar distorções:
- empresas com CNPJs inativos;
- microempresas;
- ONGs e entidades governamentais;
- filiais (considera-se a empresa como unidade jurídica central)