Policial é afastado e perde arma por espancar “preso” em delegacia

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O investigador da Polícia Civil, Djande dos Santos de Souza, lotado na delegacia de Pontes e Lacerda, foi alvo de mandados de busca e medidas cautelares nesta semana por possível envolvimento em crime de tortura contra um homem que foi detido no dia 31 de janeiro deste ano. Além disso, ele também é investigado por extravio de arma e um acidente que resultou na morte de um policial civil.

O caso teve início no dia 31 de janeiro após o investigador conduzir um homem para a delegacia sem realizar o devido registro formal da condução. Enquanto estava na delegacia, o agente teria agredido o suposto suspeito com chutes, tapas e pisões. Parte das agressões, que foram registradas por uma câmera de segurança, teria ocorrido enquanto o investigador portava sua arma institucional em punho.
Ainda conforme os autos, após as agressões, a vítima teria deixado a unidade policial apresentando sinais visíveis de debilidade física, sem que fossem adotadas medidas formais, como registro da ocorrência ou encaminhamento para exame de corpo de delito. A investigação também aponta que o policial teria utilizado posteriormente uma viatura oficial para localizar e interceptar a vítima em via pública.

As medidas foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, após representação da Polícia Judiciária Civil e parecer favorável do Ministério Público. Foi autorizado o acesso e a extração de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos, determinado seu afastamento cautelar da função pública, o recolhimento da arma de fogo institucional e a proibição de frequentar unidades da Polícia Civil e de manter contato com policiais civis e testemunhas relacionadas aos fatos.

A ação foi coordenada pela Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso, em trabalho conjunto voltado à apuração rigorosa dos fatos e à preservação da legalidade, da transparência e da credibilidade das instituições de segurança pública.

HISTÓRIO ESTRANHO

Além dos fatos em investigação, a decisão judicial destacou outros episódios anteriores envolvendo o servidor, considerados relevantes para a análise do risco à instrução criminal e à adoção das medidas cautelares. Entre eles está uma ocorrência registrada em 2017, durante a Operação Fronteira Segura, quando o policial realizou um disparo acidental com arma institucional que atingiu o próprio pé. Durante o deslocamento para atendimento médico, a situação de emergência causada pela negligência do investigado culminou em um grave acidente envolvendo a viatura policial que prestava socorro, resultando na morte de um policial civil.

Outro episódio citado ocorreu em janeiro de 2023, quando o investigador Djande dos Santos comunicou o extravio de uma pistola Glock G19 Gen 5 pertencente à Polícia Civil de Mato Grosso, com carregador e munições. À época, o agente registrou um boletim de ocorrência relatando que teve a arma extraviada no dia 15 de janeiro em Vila Bela da Santíssima Trindade. O policial informou que estava de folga no dia do ocorrido e saiu de Pontes e Lacerda pela manhã para seguir sentido Vila Bela da Santíssima Trindade. Quando chegou no quilômetro 35, ele parou para fazer as necessidades fisiológicas e colocou o armamento com um carregador em cima do carro.

Pouco depois, ele retornou para o carro e seguiu viagem, esquecendo de pegar a arma novamente. Ainda conforme o agente, ele sentiu falta do armamento já na cidade de Vila Bela e retornou até o ponto onde havia estacionado. Segundo ele, fez uma busca em um raio de 8 km mas não conseguiu encontrar a arma. Já em 2025, a pistola foi encontrada em posse de Luiz Felipe Vieira Ribeiro, conhecido como Neno, que atua  como uma das principais lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Neno foi preso em Sorriso.

Também foi mencionada uma ocorrência registrada em janeiro de 2026 relacionada ao furto de uma motocicleta oficial da Polícia Civil. Segundo as informações constantes da investigação, o veículo, que estava na posse do investigador, foi subtraído após permanecer estacionado em via pública com a chave na ignição por longo período, circunstância que motivou novo procedimento administrativo para apuração de eventual negligência funcional.

VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES

Segundo os elementos reunidos durante as diligências, foram identificados indícios de que o policial investigado vinha recebendo informações internas relacionadas às apurações instauradas em seu desfavor. As apurações também identificaram movimentações consideradas atípicas de alguns policiais civis vinculados ao círculo funcional do investigado, incluindo visitas frequentes à unidade policial fora do horário regular de expediente e tentativas de obtenção de informações sobre o andamento do procedimento. Há ainda relatos de possíveis tentativas de influenciar testemunhas e monitorar a evolução das investigações.

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