O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) determinou a paralisação imediata da transferência da gestão do Hospital Regional de Sinop para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires. A decisão cautelar foi proferida pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf após análise de uma denúncia que questiona a regularidade do procedimento adotado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
A unidade hospitalar é uma das principais referências em atendimento de média e alta complexidade na região Norte de Mato Grosso, prestando serviços a uma população estimada em mais de 800 mil habitantes distribuídos em dezenas de municípios.
Ao examinar a documentação apresentada, o relator concluiu que ainda não há elementos suficientes que comprovem a viabilidade da mudança de gestão. Entre os principais questionamentos estão a falta de estudos técnicos aprofundados, a ausência de demonstração clara dos benefícios da transferência e dúvidas sobre a capacidade do consórcio em assumir a administração de um hospital desse porte.
De acordo com o entendimento do conselheiro, qualquer alteração no modelo de gestão de uma unidade estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser precedida de planejamento detalhado e de avaliações que comprovem ganhos efetivos para a população e para a administração pública.
A análise também apontou que os documentos utilizados para justificar a transferência não apresentam comparativos consistentes entre diferentes alternativas de gestão, nem estudos conclusivos sobre impactos financeiros, eficiência operacional ou economia de recursos públicos.
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Outro fator considerado pelo Tribunal foi um levantamento técnico elaborado pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do TCE-MT. O relatório identificou fragilidades relacionadas à experiência do consórcio na condução integral de hospitais de grande porte e à comprovação da estrutura necessária para administrar uma unidade hospitalar de alta complexidade.
Segundo a decisão, a continuidade do processo poderia gerar riscos tanto para a execução dos serviços de saúde quanto para a aplicação dos recursos públicos. O contrato analisado prevê a movimentação de aproximadamente R$ 321 milhões, valor que reforçou a necessidade de uma avaliação mais rigorosa antes da efetivação da transferência.
O conselheiro também registrou que informações complementares solicitadas à Secretaria de Estado de Saúde, incluindo detalhes sobre a comissão responsável pela transição e o cronograma de implementação da nova gestão, não foram encaminhadas ao Tribunal dentro do prazo esperado.
Diante das inconsistências identificadas e do potencial impacto na assistência prestada aos usuários do SUS, o TCE-MT determinou a suspensão do contrato e de todas as medidas relacionadas à transferência da administração do Hospital Regional de Sinop, incluindo eventuais repasses financeiros, até que o caso seja reavaliado pela Corte de Contas.