O deputado federal Coronel Assis (PL), candidato à reeleição, alertou sobre a infiltração de facções criminosas em diversos setores da economia e a possibilidade de o crime organizado influenciar na eleição deste ano.
Segundo o parlamentar, que foca sua atuação na área de segurança pública, estudos apontam que 26% da população brasileira vivem atualmente sob o domínio do crime organizado.
Essa situação, afirmou o Coronel Assis, precisa de um esforço articulado dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo para atuarem de modo conjunto para enfrentar as 88 facções em atividade no território nacional, algumas divisões atuantes em Mato Grosso.
Ao MidiaNews, o deputado defendeu medidas para combater efetivamente a sofisticação das operações financeiras das facções.
“Hoje, eles estão migrando para postos de gasolina, indústrias de etanol, e temos informação que na mineração já tem participação de organizações e facções criminosas”, disse Assis.
Para ele, a “diversificação” de atuação das facções também já chegou na política. E há temor de que os grupos criminosos possam interferir na eleição.
“É ingenuidade nossa achar que isso talvez não venha a influenciar dentro do processo político. É claro que vai, agora basta o Estado ir para cima”, afirmou.
O deputado disse, ainda, que operações do Gaeco de São Paulo apontam que uma das facções tinha um banco, que financiava campanhas.
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“Eles detém o poder do dinheiro ilícito ali, um poder aquisitivo gigantesco, porque tem estudos que apontam que determinada facção criminosa movimenta 400 bilhões de dólares ano aqui no Brasil”, diz o deputado.
Sistema penal
Para o deputado, integrantes do crime organizado não podem receber o mesmo tratamento jurídico direcionado a criminosos comuns.
Por isso, Assis propõe alterações integradas no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal, além de um endurecimento nas regras de isolamento de lideranças em unidades prisionais como alternativas para frear a expansão das facções criminosas.
A estratégia de combate desenhada pelo parlamentar depende de um esforço coordenado entre os três Poderes da República. No caso do Legislativo na criação e alteração de leis específicas e pelo endurecimento do pacote penal contra o crime organizado.
Já no Judiciário, com a necessidade de uma postura mais firme e aplicação rigorosa das novas diretrizes penais estabelecidas. E no caso do Executivo, com a construção de unidades prisionais de segurança máxima que garantam o isolamento total dos detentos.
“O Poder Executivo precisa criar cadeias que realmente ofereçam condições de que esse cara fique isolado e incomunicável com o crime aqui fora”, concluiu.