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“Melhor opção para MT não voltar à corrupção e incompetência”

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O candidato ao Senado Federal, Mauro Mendes (União), afirmou que a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) é a melhor opção para que Mato Grosso “não volte” a um período de corrupção e incompetência.

 

Eu desejo profundamente que o Estado de Mato Grosso continue sendo bem administrado e que não voltemos ao tempo que tivemos recentemente, de quatro anos de corrupção e de grande incompetência no Estado de Mato Grosso”, disse ele, em entrevista exclusiva ao MidiaNews.

 

Segundo Mendes, o aliado tem condições de defender as posições do governo do qual participou por mais de sete anos como vice-governador.

 

“Ele disputa com condições de fazer o bom combate, de defender as posições do governo. […] Do grande legado que deixamos para Mato Grosso, mostrar que estamos no caminho certo e que ele representa a melhor alternativa para Mato Grosso continuar tendo mais quatro anos de prosperidade”, afirmou.

Na entrevista, Mendes ainda defendeu deu detalhes sobre as investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Heritage, que apura um acordo entre o Estado e a empresa Oi de R$ 308 milhões firmado ainda durante sua gestão. Disse ser inocento e alvo de uma “armação política”.

 

Sobre a disputa ao Senado, disse que antes de decidir entrar na corrida eleitoral, pensou em encerrar o ciclo político. Defendeu a elaboração de um novo Código Penal e disse ter coragem para “fazer muita coisa em Brasília que hoje parece ser impossível”.

Como estão os primeiros movimentos de campanha? 

 

Mauro Mendes – Uma campanha de 45 dias é muito rápida e é praticamente impossível percorrer os 142 municípios, porque, nesse período, além de ter o contato direto com a população, tem que gravar programas, participar de debates, de entrevistas, algumas agendas de organização da campanha, e isso torna quase impossível estar presente em todos os lugares que gostaria.

 

Mas vou fazer um esforço para estar no maior número possível de municípios e ter o maior contato possível com o cidadão.

Por que escolheu o Senado Federal, quando tinha também outras opções políticas e até pessoais?

 

Mauro Mendes – Confesso, e digo com muita honestidade, que pensei muito, muito, muito em encerrar a minha atividade política. Eu vim para Mato Grosso com 16 anos, construí minha história, minha vida profissional.

 

Quando entrei para a política, já tinha 20 anos que trabalhava em Mato Grosso. Construí uma empresa e me tornei o maior fabricante de torres de telefonia celular do Brasil. Conquistei mercados, fiz muita coisa que gostaria de fazer no mundo privado.

 

Eu, como a maioria dos brasileiros, sempre critiquei muito os políticos. Falava mal, achava que eles falavam muito, trabalhavam pouco, e entregavam pouco resultado. E sempre imaginava, na minha cabeça, que era possível fazer diferente, entregar resultado melhor.

 

E foi isso que me levou a ser presidente da Federação das Indústrias e acabei aceitando o desafio de ser candidato a prefeito em 2008, quando perdi. Me candidatei a governador em 2010, perdi. Como sempre, fui um cara persistente. Em 2012, me elegi prefeito de Cuiabá. Fui prefeito, fiz acho que um bom mandato, saí com 80% de aprovação na época, mas não quis e não pude ir para a reeleição. E ali achei que estava encerrando a minha carreira política. Mas quis Deus, quis o destino, e quis os meus adversários, que eu me candidatasse.

 

Porque dizem que você entra na política pelos amigos, mas não sai por causa dos inimigos. E alguns inimigos políticos ficavam me perturbando muito, falando muita abobrinha e acabei aceitando o desafio de ser candidato ao Governo, num momento em que Mato Grosso estava muito ruim. O Estado estava praticamente quebrado.

 

E aceitei o desafio, ganhamos a eleição em primeiro turno do então candidato à reeleição Pedro Taques e assumimos o governo. Fizemos dois mandatos extremamente transformadores na realidade de Mato Grosso. O que fizemos nesse período, se olhar todos os números, pode colocar numa planilha e comparar, foi o de maior prosperidade de Mato Grosso, em todo sentido.

 

Se olhar na infraestrutura, dobramos a quantidade de asfalto. Mato Grosso tinha 6.400 quilômetros quando chegamos e, nesses oito anos, estamos fazendo mais de 7.000 quilômetros. Ou seja, fizemos mais do que toda a história de Mato Grosso, de mais de 200 anos.

 

Ponte de concreto, fizemos mais do que existia. Escolas, reformamos praticamente mais de 50% com alto padrão de qualidade. Hospitais? Ficamos 20 anos sem construir um hospital em Mato Grosso. Fizemos seis hospitais, abrimos mais um, que é a Santa Casa, que estava fechada. Três desses seis já estão prontos, e os outros todos ficarão prontos este ano. Estamos em um período de muita prosperidade. 

E eu falava para mim mesmo: poxa vida, valeu a pena. Já valeu a pena. Provei para mim mesmo, para Deus, e honrei o compromisso com os mato-grossenses de ter encontrado o Estado de um jeito muito ruim e devolvido de uma forma muito melhor do que eu encontrei. 

 

Eu estava com a minha consciência tranquila, com uma sensação gostosa de dever cumprido. Poxa vida, fizemos tudo? Claro que não, tem muita coisa para fazer. Mas fizemos muito, muito, principalmente considerando a forma que nós pegamos o Estado.

 

Pensei, refleti, falei: não, tenho que entregar o governo ao Pivetta para dar a ele a oportunidade de se reeleger. Deixei o governo no dia 30 e aí continuei pensando se seguiria, se eu não seguiria. Pensei, conversei com a minha família, com a Virginia, com os meus filhos, e aí acabei tomando a decisão de ser mais uma vez candidato.

 

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Por quê? Pensei assim: como governador, principalmente, critiquei muitas leis nesse país. Sempre falei que as leis eram frouxas, reclamei da burocracia pública, reclamei da ineficiência que o serviço público tem, principalmente pelos marcos que amarram a administração pública. São leis burras, que atrapalham muito o Estado a ser mais ágil, mais eficiente e prestar um serviço custando menos. Falei: vou tentar mais uma vez dar essa contribuição para melhorar as leis nesse país, porque se elas forem mais inteligentes, mais eficientes, teremos um País melhor.

 

 Mas teve alguma dica do seu amigo Blairo Maggi, que já foi governador e depois senador? Posto que são cargos com atribuições muito diferentes.

 

Mauro Mendes – O cargo é muito diferente, mas traz, na essência, coisas muito semelhantes. Muito embora eu fosse um governador, não mandava sozinho. Eu tinha que convencer a Assembleia, dialogar com os poderes, tinha que convencer os servidores.

 

Muitos projetos, não adianta mandar fazer, virar as costas, para que as coisas aconteçam. Tem que saber trabalhar em equipe, saber estimular essas pessoas para trazê-las junto contigo nos seus objetivos.

 

E isso, fizemos razoavelmente bem em função do resultado que foi entregue. E aí eu falei: vou me desafiar. Eu sei que é um desafio, mas, para  ter vida longa, precisa se desafiar o tempo todo, até para você não envelhecer. É mais um desafio. E tenho certeza: se eu usar os mesmos elementos que usei no governo, que foi trabalhar muito, com seriedade, colocar Deus na frente e ter coragem para fazer o que é certo.

 

Acho que é possível, sim, fazer muita coisa em Brasília que hoje parece ser impossível. Assim como fizemos em Mato Grosso.

 

Tinha muita coisa em Mato Grosso que parecia ser impossível. Se eu falasse no início do meu governo que ia construir seis grandes hospitais, iam rir da minha cara. Se falasse no começo do governo que ia fazer mais de sete mil quilômetros de asfalto, todos ririam e falariam que era uma promessa eleitoreira impossível de ser cumprida.

 

O senhor tem o discurso de que as leis brasileiras precisam ser mais duras, penas mais firmes. Qual punição sugere?

 

Mauro Mendes – Precisamos reformular completamente, reconstruir, não é remendar. Precisamos construir um novo Código Penal brasileiro, à luz de uma nova realidade que temos hoje no país. As facções criminosas se organizaram, se profissionalizaram, e virou um modelo de negócio, de franquia, que está presente no Brasil inteiro, na maioria das cidades brasileiras.

 

O Estado precisa acordar para isso e criar novos mecanismos, mais inteligentes, para combater e não deixar o cidadão brasileiro refém desse chamado crime organizado, dessas facções criminosas. Precisamos mudar essa perspectiva, essa realidade que é muito forte no Brasil, de uma sensação de impunidade. As pessoas não acreditam mais na pena, não têm medo da polícia, não têm medo de ser preso.

A sociedade brasileira concorda com esse discurso de leis mais duras, mais fortes, e de bandidos na cadeia, mas qual é a dificuldade em implementar isso? O que esse jogo político tem que não consegue implementar essa política no Brasil?

 

Mauro Mendes – É porque a maioria dos políticos lá fala muito, mas faz pouco. A Margareth Buzetti propôs uma lei para aumentar o feminicídio para 40 anos. Só que vai ficar só 22 anos presos. Essa é a hipocrisia que tem que parar de existir no Brasil. Imagina, tem uma pena de 40 anos e o cara fica 22. 

 

Hoje, na média, você cumpre um sexto da pena. Você mata um cidadão, tira a vida de uma pessoa, destrói uma família, esse cara nunca mais vai sair do cemitério e o bandido, três anos depois, está na rua. Se for condenado, se for preso. Essa sensação de impunidade generalizou a violência no país. Nós temos que restabelecer isso. 

Qual é a dificuldade, em sua opinião, de endurecer o jogo contra a bandidagem no país?

 

Mauro Mendes – Covardia, incapacidade e falta de vontade, porque é muito simples e é isso que deseja hoje a sociedade brasileira. Ninguém quer ficar nesse país refém de bandido e com medo de andar na rua. Uma vez eu estava na China, perguntei para um chinês assim: não sente falta da liberdade aqui no seu país de escolher os seus representantes? 

Ai o cara falou: aqui na China, o senhor pode pegar um saco de plástico encher de dinheiro, colocar na sua cabeça e sair andando na rua, em qualquer cidade, em qualquer bairro, ninguém vai encostar a mão no senhor e nem no seu saco de dinheiro. No seu país, você pode andar com o celular na mão? Então, pergunto ao senhor: quem tem mais liberdade, aqui na China ou vocês no Brasil? Nós começamos a rir, falando: “Toma, um tapa na cara”. 

 

O brasileiro está cansando. Em São Paulo, em muitos lugares do Brasil, você não pode andar com o celular na mão. É o tempo todo sendo assaltado por motoqueiros, por pessoas acontecendo esse tipo de atrocidade. Precisamos mudar essa realidade.

O senhor deixou o Governo em abril deste ano e desde então o Estado está sob o comando de Otaviano Pivetta, que era seu vIce. Qual análise faz desses primeiros meses da atual gestão?

 

Mauro Mendes – Ao assumir o governo, é normal que as pessoas sintam alguma diferença. Eu não sou igual ao Pivetta, o Pivetta não é igual a mim e ninguém é igual a ninguém. Cada um tem um jeito diferente. Algumas coisas podem ser melhores, algumas coisas podem ser iguais, outras podem ser até um pouco piores.

 

Mas ele foi o vice-governador, tem experiência, tem capacidade, tem competência para exercer esse cargo de governador e vai ser um candidato que acredito que, ao final, vai ganhar as eleições e vai dar continuidade a um bom trabalho. Com algumas diferenças, é claro, e elas são naturais. E eu tenho, por prática e hábito, não ficar analisando os meus antecessores.

 

Eu tive a minha oportunidade de fazer. Fiz tudo o que podia, tudo o que consegui fazer, fizemos muita coisa, então não me cabe agora ficar analisando, dizendo se está certo ou se está errado. Não serei comentarista de ex-governador.

 

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