O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (05) sua renúncia ao cargo, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A decisão ocorreu enquanto o Congresso discutia um pedido de impeachment contra o mandatário.
A saída foi anunciada após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira, que deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados e provocou protestos no país.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu apresentar a renúncia pensando na estabilidade nacional, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
O presidente também pediu desculpas à população caso tenha decepcionado os cidadãos e declarou que sua prioridade é garantir a proteção dos recursos dos clientes atingidos pela crise bancária.
Congresso deverá analisar renúncia
A decisão ocorre após um grupo de 35 deputados apresentar um pedido de impeachment contra Peña. Os parlamentares apontam suspeitas de conflito de interesses e possíveis irregularidades relacionadas à crise financeira.
A Câmara dos Deputados iniciou nesta quinta-feira a discussão sobre o processo de destituição do presidente.
Pelas regras constitucionais paraguaias, a renúncia deverá ser analisada pelo Congresso. O vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor previsto para assumir a Presidência e completar o mandato, que termina em agosto de 2028.
Entenda a crise do Ueno Bank
O escândalo começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, diante de problemas de solvência identificados na instituição.
Segundo as autoridades financeiras, o banco não atendia aos requisitos mínimos necessários para manter suas operações. A intervenção foi acompanhada da suspensão dos serviços e do início dos procedimentos de resolução da instituição.
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A crise atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que enfrentaram dificuldades para acessar suas contas e movimentar recursos. O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos.
Relação de Peña com o banco aumentou pressão
O caso ganhou repercussão política porque Santiago Peña foi acionista do grupo empresarial controlador do Ueno Bank até março de 2025.
A antiga ligação comercial passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que acusam o governo de conflitos de interesse e falhas na fiscalização da instituição financeira.
As acusações ainda dependem de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do presidente.
A crise também provocou a renúncia de Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central paraguaio, que anteriormente havia ocupado a presidência do Ueno Bank.
Investigação envolve dirigentes da instituição
Além dos desdobramentos políticos, o caso passou a ser investigado criminalmente.
As apurações envolvem suspeitas de irregularidades na gestão financeira, incluindo empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
Oito dirigentes e ex-dirigentes da instituição foram detidos no âmbito das investigações, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.
A renúncia de Santiago Peña representa um novo capítulo da crise institucional no Paraguai. Enquanto o Congresso analisa a saída do presidente, autoridades financeiras e judiciais trabalham para apurar as irregularidades e definir os procedimentos para os clientes prejudicados.