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CENIPA aponta pouca experiência e falha na percepção de piloto em queda de avião agrícola em MT

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A pouca experiência do piloto, falhas na percepção do ambiente e uma avaliação inadequada durante a operação contribuíram para a queda de um avião agrícola que matou João Vitor Marega, de 33 anos, em Mato Grosso. A conclusão consta no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) sobre o acidente ocorrido em 14 de dezembro de 2023, na região de Salto do Céu.

João pilotava um Neiva EMB-201A e havia decolado de uma propriedade rural por volta das 12h45 para realizar uma operação aeroagrícola. Durante uma das passagens sobre a área de trabalho, a aeronave atingiu vegetação de grande porte e caiu em uma região de mata. O piloto morreu no acidente e a aeronave ficou destruída.

Segundo o CENIPA, João possuía licença de piloto comercial e estava com as habilitações de monomotor terrestre e piloto agrícola válidas, assim como o certificado médico aeronáutico. Apesar disso, a investigação apontou que ele tinha 543 horas e 21 minutos de voo, sendo apenas cerca de 20 horas no modelo EMB-201A.

O relatório também destaca que o piloto estava na primeira safra trabalhando na aviação agrícola, tinha pouca experiência com aquele tipo de operação e não conhecia suficientemente a região onde o voo era realizado. Após avaliar documentos e registros da operação, o CENIPA concluiu ainda que o piloto não atendia a todos os requisitos regulamentares necessários para a realização daquele voo.

Avião não apresentou falha mecânica

A investigação não encontrou indícios de defeito ou mau funcionamento nos sistemas da aeronave. As análises indicaram que o motor desenvolvia potência no momento do acidente. O avião também estava dentro dos limites previstos de peso e balanceamento e possuía documentação de aeronavegabilidade válida.

As condições meteorológicas registradas naquele momento também não foram consideradas determinantes para a queda. Com base nos dados do sistema de posicionamento do avião, os investigadores conseguiram reconstruir parte da trajetória realizada antes da colisão.

Nos últimos momentos registrados, a aeronave voava mantendo altura e velocidade relativamente constantes, a aproximadamente 100 milhas por hora. À frente da trajetória havia uma área de vegetação formada por caules altos e isolados, com alturas estimadas entre 15 e 25 metros. Marcas encontradas na asa esquerda indicaram que o avião atingiu a vegetação em alta velocidade antes de cair.

Distância era insuficiente para desvio seguro

Um dos pontos analisados pelo CENIPA foi a distância existente entre a aeronave e a vegetação.

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Segundo o relatório, havia cerca de 227 metros entre o último ponto registrado pelo equipamento de posicionamento e o início dos obstáculos.

Em uma passagem realizada anteriormente, o piloto havia utilizado aproximadamente 400 metros para executar uma manobra vertical e superar a parte mais alta da vegetação. Para os investigadores, os 227 metros disponíveis na última passagem não permitiriam repetir a manobra com segurança. Uma eventual tentativa de subir para evitar o obstáculo teria que ocorrer de forma brusca.

O CENIPA concluiu que houve uma avaliação inadequada das condições da operação e dificuldade para perceber o obstáculo com antecedência suficiente. A altura do voo, a velocidade da aeronave, as características da vegetação e a experiência limitada do piloto foram apontadas como fatores que podem ter reduzido a capacidade de identificar o risco.

Piloto estava na primeira safra

O relatório destaca ainda que João era recém-habilitado para trabalhar na aviação agrícola e participava da primeira safra na atividade.

O desconhecimento das características da região e a ausência de treinamento considerado necessário pela investigação também contribuíram para a redução da chamada consciência situacional, que é a capacidade de perceber riscos e reagir a eles durante o voo. Segundo o CENIPA, esse conjunto de fatores prejudicou o reconhecimento do obstáculo e a tomada de decisão antes da colisão.

Aeronave ficou desaparecida por dois dias

Após o acidente, João ficou desaparecido por aproximadamente dois dias.

As buscas começaram depois que ele não retornou à base após sair para realizar uma aplicação agrícola. A região de mata dificultou a localização da aeronave e equipes foram mobilizadas para procurá-lo. Os destroços foram encontrados por terra em 16 de dezembro de 2023, concentrados em uma área de vegetação. A aeronave apresentava danos graves, principalmente na parte dianteira. João foi encontrado morto próximo aos destroços. Ele era casado e deixou três filhos.

Após concluir a investigação, o CENIPA recomendou à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que intensifique a fiscalização junto às empresas que atuam no setor aeroagrícola.

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