Um ano após ter a mãe assassinada a facadas dentro de casa, em Lucas do Rio Verde, a biomédica Caroline Fernandes usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre a saudade, o trauma e a dor que ainda carrega desde o feminicídio de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos. O crime foi cometido pelo engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, ex-padrasto dela, que também esfaqueou a própria filha de 7 anos, durante o ataque.
Em outro trecho, ela diz que a tragédia transformou sua forma de enxergar a vida. “1 ano que eu descobri que sou mais parecida com você imaginava. Que tenho peito de aço e coração de manteiga. Que quando a pior coisa que poderia acontecer, acontece, o medo muda de lugar e todo o resto se torna ‘fichinha'”, escreve.
A publicação termina com uma declaração sobre a falta que a mãe faz para toda a família, especialmente para a irmã mais nova, que sobreviveu ao ataque. “Eu sinto uma saudade dilacerante de nós. Desde que você te tiraram de mim, uma parte minha foi junto e ela também faz falta por aqui”, finaliza.
O feminicídio ocorreu na madrugada de 24 de junho do ano passado. De acordo com as investigações, Daniel Bennemann Frasson atacou Gleici enquanto ela dormia e, em seguida, desferiu golpes de faca contra a filha de 7 anos. Depois do crime, ele tentou se matar.
O engenheiro responde por feminicídio consumado e tentativa de homicídio contra menor de 14 anos, ambos em contexto de violência doméstica. Em setembro do ano passado, a ação penal foi suspensa temporariamente para a realização de um exame de insanidade mental. Posteriormente, um laudo da Politec concluiu que ele apresentava um quadro depressivo capaz de comprometer sua capacidade de compreender a gravidade dos atos.