A advogada Dayane Rodrigues, que representa Mayara Santos, mãe da menina Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, afirmou nesta quinta-feira (11), em entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real, que a adolescente nunca havia dormido na casa do pai antes do fim de semana em que foi morta. Segundo ela, a única exceção ocorreu porque a garota participou de uma festa de aniversário da família paterna.
“O fato é que ela já havia uma medida protetiva contra ele em 2018. Ele tentou contra a vida dela [da mãe de Olga] e foi feita a medida protetiva”, afirmou. De acordo com a advogada, após cumprir pena e deixar a prisão, Claudinei procurou familiares da menina para tentar retomar o contato com a filha.
“A Olga, muito criança, no tempo que aconteceu os fatos, não conheceu, não lembrava muito do pai, não recordava do pai, mas tinha sempre essa visão de que queria conhecer o pai, queria ver o pai, falava que amava o pai, mesmo sem ter o contato”, disse.
Segundo Dayane, a própria menina demonstrava vontade de criar laços com o pai. “A Olga queria muito ter contato”, afirmou.
A advogada explicou que os encontros aconteciam normalmente na região onde moravam familiares paternos e maternos, mas sem pernoites.”Nunca que a Olga dormia na casa do pai. Então era uma visita rápida”, declarou.
Ela contou que a primeira vez que Olga passou a noite na casa do pai foi justamente no fim de semana da tragédia.”Acontece que no dia dos fatos, um dia anterior, a Olga estava na casa do pai, foram para um aniversário e nesse dia específico, por conta do horário que eles retornaram desse aniversário, a Olga dormiu na casa do pai”, detalha.
No domingo, Mayara foi buscá-la logo cedo, mas a menina decidiu permanecer com o pai porque queria participar da comemoração do aniversário do avô.
“Ela falou, não, mamãe, vai ter o aniversário do meu avô, vou conhecer o meu avô”, conta. Segundo Dayane, Claudinei manteve Mayara e Olga em cárcere privado por três dias em 2018. Depois, obrigou a então companheira a ir até o trabalho pedir demissão.
Conforme o relato, ele levou mãe e filha em uma bicicleta enquanto estava armado com uma faca. Ao chegar ao local, Mayara conseguiu pedir ajuda. “Nesse momento, o Claudinei desferiu duas facadas nela e ele foi preso nesse dia”, relatou a advogada.
As facadas atingiram a barriga e a perna da vítima. A Polícia Civil informou inicialmente que as agressões teriam começado após Claudinei encontrar uma conversa da filha com um menino em uma rede social. A versão é contestada pela família. “A mãe descarta totalmente essa possibilidade da Olga estar conversando com o menino no telefone porque a Olga não tinha celular”, afirmou Dayane.
Ela acrescentou que a adolescente utilizava apenas o telefone da mãe ou do pai quando precisava conversar com um deles. A advogada afirmou que a família aguarda o resultado das perícias para esclarecer o que realmente aconteceu dentro da casa e qual foi a motivação para o assassinato.
“Não sabemos qual foi a real motivação desse crime. A mãe está sem entender o motivo”, pontua. Sobre a fuga de Claudinei após a morte da filha, Dayane disse que existem diferentes versões sendo apuradas pela Polícia Civil, mas afirmou que há indícios de que ele tenha recebido ajuda. A mãe da menor prestou depoimento na Delegacia de Homicídios. A PJC ainda investiga se Olga sofreu abuso sexual.