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“Meu pai é pica”: advogado suspeito de manter esposa e filhos em cárcere privado ameaçou PMs

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Suspeito de cometer os crimes de sequestro, cárcere privado, maus-tratos e ameaça contra a esposa e os dois filhos – um menino de seis anos e um recém-nascido de 21 dias -, o advogado Pablo Airton da Silva, de Tangará da Serra (241 km de Cuiabá), também teria efetuado disparos contra policiais militares no momento da prisão. Segundo o registro, enquanto chutava o camburão, ele afirmou que o pai era “pica”, “poderoso” e que os policiais “iriam ver o que aconteceria com eles”.

As ameaças contra os policiais militares de Tangará da Serra constam em trecho do boletim de ocorrência confeccionado logo após a prisão. O advogado, que entrou em luta corporal com os policiais durante a abordagem, havia se trancado em um quarto com o próprio filho, um recém-nascido de 21 dias, após gritar com a esposa e agredir o outro filho, de seis anos.

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“Vocês não sabem quem é meu pai, meu pai é pica, meu pai é poderoso e vocês irão ver o que vai acontecer com vocês”, diz trecho do boletim de ocorrência.

O caso

Segundo já informado pela reportagem do Olhar Direto, a esposa e os dois filhos de Pablo estavam em casa quando o advogado chegou embriagado e teria começado a quebrar os móveis da residência.

Consta no boletim de ocorrência que Pablo é reincidente nesse tipo de comportamento. A mulher tentou se abrigar com os filhos, trancando-se em um quarto. No entanto, o advogado entrou no local, foi até a esposa e arrancou o bebê recém-nascido de seus braços.

O registro da Polícia Militar descreve ainda que ele estapeou o menino de seis anos e se trancou com o recém-nascido. A Polícia Militar foi acionada, conseguiu resgatar a criança e entrou em luta corporal com o advogado, que acabou preso.

Suspensão

Após a prisão, Pablo passou por audiência de custódia e foi liberado com a imposição de medidas restritivas. Em seguida, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspendeu preventivamente o advogado.

Em nota, a OAB informou que, no fim da tarde desta segunda-feira (26), a Presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT determinou a instauração de medida cautelar de suspensão preventiva, bem como a imediata designação de sessão especial para instrução e julgamento, assegurados o contraditório e a ampla defesa, conforme previsto no Estatuto da Advocacia, no Código de Ética e Disciplina e no Regimento Interno do TED.

A entidade destacou que a medida tem natureza cautelar e não representa antecipação de penalidade, tendo como finalidade resguardar a dignidade da advocacia, zelar pela credibilidade da instituição e preservar a confiança social na Ordem.

Pablo continuará respondendo em liberdade até a conclusão do inquérito policial e o encaminhamento do caso ao Ministério Público.

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