Uma jovem de 22 anos foi resgatada pela Polícia Militar após relatar ter sido sequestrada, mantida sob ameaças e levada por três homens para receber um suposto “salve”, expressão associada a punições impostas por organizações criminosas. O caso ocorreu na noite deste domingo (6), na região rural de Marcelândia/MT. Três homens, de 21, 25 e 36 anos, foram conduzidos à delegacia.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais realizavam patrulhamento no setor de chácaras Cachoeirinha quando perceberam um Chevrolet Corsa Sedan preto em atitude suspeita. Conforme a PM, o motorista tentou fugir pela Estrada Boiadeira ao notar a aproximação da viatura.
A equipe iniciou acompanhamento e utilizou sinais sonoros e luminosos para determinar a parada. Ainda segundo a ocorrência, os ocupantes não obedeceram inicialmente e, durante a fuga, um deles teria arremessado um objeto pela janela.
Após o acompanhamento, os policiais conseguiram parar o automóvel e determinaram que os três homens desembarcassem.
Foi nesse momento que os militares perceberam uma mulher dentro do carro. Conforme o registro, ela estava chorando, bastante assustada e dizia estar com medo de morrer.
Os policiais separaram a jovem dos suspeitos e iniciaram a apuração do que havia ocorrido.
Vítima relata sequestro e ameaças
Aos militares, a jovem afirmou que havia sido sequestrada em um bar e levada contra a vontade para uma chácara.
Segundo o relato registrado pela PM, um dos suspeitos teria obrigado a vítima a entrar no automóvel. Na propriedade rural, outros dois homens estariam aguardando e teriam feito graves ameaças contra ela.
A jovem contou ainda que foi colocada em uma chamada de vídeo para prestar explicações sobre um desentendimento que teria ocorrido entre ela e outra mulher.
Após a ligação, conforme a versão da vítima, os três homens voltaram a colocá-la no carro e seguiam para outro local onde seria aplicado o chamado “salve”.
Foi durante esse deslocamento que o veículo acabou encontrado pela Polícia Militar.
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Celular é encontrado durante buscas
Depois da abordagem, os policiais fizeram buscas no trajeto e localizaram um aparelho celular que, conforme a ocorrência, teria sido jogado para fora do automóvel durante a tentativa de fuga.
Segundo a vítima, o telefone teria sido utilizado na chamada de vídeo realizada enquanto ela estava na chácara.
O boletim também registra que a jovem relatou outro episódio ocorrido dias antes. Conforme sua versão, em razão do mesmo desentendimento, ela teria sido obrigada a entregar cestas básicas a integrantes de uma suposta facção criminosa para evitar outra forma de punição.
As alegações sobre eventual participação de organização criminosa deverão ser apuradas pela Polícia Civil.
Polícia cita suspeita sobre uso do veículo
A Polícia Militar registrou ainda que o Corsa preto abordado já seria conhecido das forças de segurança por suposta utilização em outros crimes. O boletim relaciona o automóvel a episódios envolvendo os chamados “salves” e outras ações criminosas.
Essas suspeitas, assim como a eventual participação dos conduzidos em outros delitos, dependerão da investigação policial.
Após ouvir a vítima, os militares retornaram à propriedade rural apontada por ela como o local onde teria ocorrido a chamada de vídeo. Uma pessoa mencionada no relato não foi encontrada.
“Estou morta”, relatou vítima à polícia
O medo demonstrado pela jovem chamou a atenção dos policiais. De acordo com o boletim, ela afirmou temer represálias caso os suspeitos fossem colocados em liberdade e disse acreditar que poderia ser morta.
Diante da gravidade das acusações e com o objetivo de preservar a integridade da vítima, os três homens foram encaminhados à delegacia juntamente com o veículo e entregues à Polícia Civil, responsável pela continuidade da investigação.
A ocorrência foi registrada, entre outras naturezas, como sequestro e cárcere privado, tortura para obtenção de informação ou declaração, ameaça, desobediência e promoção ou constituição de organização criminosa.
Os três conduzidos foram entregues sem lesões corporais aparentes, conforme consta no registro policial. As circunstâncias do caso, a participação individual de cada suspeito e a possível relação com organização criminosa serão investigadas.