A decisão que reconheceu a incapacidade mental do engenheiro Daniel Bennemann Frasson, autor do feminicídio de Gleici Keli Geraldo de Souza e da tentativa de homicídio da filha de sete anos, foi embasada em um laudo elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Mato Grosso, que também considerou depoimentos de familiares próximos, incluindo a enteada do suspeito, Caroline Fernandes. Caroline reconheceu que o padrasto estava em surto.
Ela e a irmã de Daniel, Fernanda Frasson, relataram episódios de confusão mental, sintomas depressivos e mudanças bruscas de comportamento nas semanas que antecederam o ataque ocorrido em junho, em Lucas do Rio Verde (a 340 km de Cuiabá).
O crime aconteceu enquanto Gleici dormia. Ela foi atingida por 16 facadas e não resistiu. A filha do casal recebeu oito golpes — quatro no peito e quatro nas costas —, foi socorrida em estado gravíssimo, ficou 22 dias internada em UTI e sobreviveu com sequelas.
Caroline contou à equipe médica que Daniel estava “depressivo”, agitado e com falas de menos-valia. Ela também afirmou que não havia histórico de violência doméstica dentro da família.
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Fernanda, irmã do engenheiro, relatou um quadro de deterioração progressiva. Segundo ela, Daniel apresentava insônia, tristeza intensa, discurso de ruína financeira e sintomas depressivos nos últimos 60 dias.
A irmã afirmou que ele contou estar ouvindo vozes que mandavam “matar esposa e filha” e chegou a alertar a cunhada para esconder facas. No dia do crime, Daniel telefonou ao irmão dizendo ter esfaqueado a família.
Fernanda correu até a casa e encontrou o engenheiro ensanguentado e em “choque”. A cena reforçou, para ela, que Daniel não estava em condições normais de consciência quando cometeu o ataque contra a esposa e a criança.
Na avaliação psiquiátrica, Daniel relatou estar em tratamento havia 90 dias por diagnóstico inicial de Síndrome de Burnout. Ele disse ter trocado de psiquiatra 45 dias antes e informou o uso de Alpes, Inseris, Rivotril e Quetros.
Mesmo medicado, afirmou que dormia apenas duas horas por noite, sentia irritabilidade, tristeza, agitação e confusão mental. Disse que “não conseguia pensar direito” nem “filtrar” o que acontecia ao seu redor naquele período.
O engenheiro também admitiu ouvir, há cerca de 15 dias, uma voz que mandava “eu matar, matar, matar”. Afirmou que alternava entre pensamentos de autoextermínio e impulsos homicidas, apesar de manter planos futuros e viagens marcadas.
Ele negou problemas conjugais e disse que tinha “bom relacionamento com esposa e filhas”. A combinação entre sintomas graves e a manutenção da rotina contribuiu para a avaliação clínica de que havia perda de capacidade mental.
Ele segue preso em Sorriso, no Centro de Custódia da cidade, desde que teve alta do hospital após a tentativa de suicídio. Agora, aguarda vaga no Hospital Adauto Botelho, onde ficará internado por tempo indeterminado.