Juíza amplia alvos e manda bloquear contas por esquema de R$ 140 milhões; veja nomes

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A juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Sinop, autorizou a ampliação das cautelares no âmbito da Operação Safra Desviada, deflagrada na manhã da última quarta-feira (25) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura o desvio de grãos e um prejuízo estimado em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor do agronegócio. A magistrada determinou ainda o bloqueio nas contas de 32 pessoas físicas e empresas alvos da ação.

O pedido aditivo foi apresentado pelo Gaeco, apontando que a medida visa complementar as medidas cautelares determinadas pela Justiça e ampliar os endereços para cumprimento de mandados de busca e apreensão domiciliar, veicular e pessoal, bem como à apresentação de estimativas de valores para o bloqueio de contas bancárias e a inclusão de novas pessoas físicas e jurídicas.

Segundo o Gaeco, a medida é justificada com base em relatórios de investigação interna do Grupo Lermen, Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do COAF, documentos bancários, fiscais, e-mails e mensagens de WhatsApp. Segundo os investigadores, foi constatada a incompatibilidade entre a capacidade financeira declarada e a movimentação de grandes valores por parte dos suspeitos, além da utilização de empresas de fachada e de laranjas.

O Gaeco destacou que existe o risco de ocultação patrimonial e de frustração das investigações, demonstrada pela exclusão de dados de notebooks corporativos e mudanças repentinas de endereço. Segundo o órgão, os desvios atribuídos a Joherberton da Silva Rondon (“Beto”), sócio-administrador das empresas B.R. Assessoria Administrativa Ltda e BR Participações Ltda, totaliza R$ 53,6 milhões. 

Os valores são decorrentes de royalties desviados, transporte de milho sem nota fiscal, saída de caminhões de milho sem registro, aquisição de imóvel, transferências para empresas como BARU, Parrilla e Cozinha e Ellus Sorriso, dívidas fraudulentas e pagamentos adicionais de insumos. Ele já havia sido alvo de bloqueio de contas bancárias, mas o Gaeco solicitou a extensão para as empresas BR. Assessoria Administrativa Ltda, BR Participações Ltda, Baru Parrilla e Cozinha Ltda. e sua esposa, Suelene Aparecida do Carmo Nascimento.

Na decisão, a magistrada apontou que as informações detalhadas encontram agora uma quantificação mais precisa dos montantes desviados e uma identificação mais abrangente dos locais potencialmente utilizados para ocultação. A indicação de valores específicos, segundo a juíza, oferece um panorama ainda mais concreto da extensão dos prejuízos e da dimensão da atuação da organização criminosa.

“A complexidade dos esquemas, que abrange desde a manipulação de contratos e notas fiscais até a utilização de plataformas de apostas para dificultar o rastreamento, demonstra uma capacidade de rearticulação e uma intenção de frustrar as investigações que justificam plenamente a ampliação das medidas constritivas”, diz trecho da decisão.

Para a juíza, os elementos colhidos em diligências preliminares e as informações complementares justificam a expansão dos locais a serem alvos de busca e apreensão, pois corroboram a vinculação dos investigados e dos novos endereços ao contexto criminoso. Foi também autorizada a quebra de sigilo de dados e autorização de acesso de dispositivos eletrônicos, inclusive em nuvem, por conta da necessidade de rastrear o caminho do dinheiro e identificar beneficiários finais. Foram alvos dos novos mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular, os investigados José Carlos Orta Junior, Maria Eduarda Mello, Sabrina Castilho Claro, Monara Cervi, Lucas Modesto Riboldi, Claudia Angelica Martins Makari e Nadim Makari.

“Diante do exposto, e em conformidade com as razões de fato e de direito apresentadas, evidenciados os robustos indícios de materialidade e autoria dos delitos, e a permanência do risco de frustração da investigação e da recuperação dos ativos, defiro integralmente os pedidos formulados no aditivo à representação pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por intermédio do GAECO, para fins de complementação e aperfeiçoamento das medidas cautelares previamente deferidas”, diz a decisão.

Veja os valores bloqueados de cada investigado:

Joherberton da Silva Rondon – R$ 53.617.409,87

Suelene Aparecida do Carmo Nascimento – R$ 53.617.409,87

B.R. Assessoria Administrativa Ltda. – R$ 53.617.409,87

BR Participações Ltda. – R$53.617.409,87

Ellus Sorriso – R$ 1 milhão

Baru Parrilla e Cozinha Ltda. – R$ 1 milhão

Harmonize Presentes Afetivos – R$ 500 mil

Maria Eduarda Mello – R$ 500 mil

Felipe Faccio – R$ 28.534.296,98

Michele Faccio – R$ 28.534.296,98

Renan da Silva Rondon – R$ 5 milhões

Lucas Modesto Riboldi – R$ 5 milhões

Joseandro Gomides da Cruz Lima – R$ 24 milhões

Sabrina Castilho Claro – R$ 24 milhões

Union Comercial e Transporte – R$ 24 milhões

Union Comercial e Representação Ltda. – R$ 24 milhões

Sabrina Castilho Claro (CNPJ) – R$ 24 milhões

W.E. da Silva Transportadora – R$ 24 milhões

Renato Antonio Duarte – R$ 24 milhões

Algodoeira Lucas Cotton – R$ 24 milhões

Safra Cotton Ltda. – R$ 24 milhões

Sorriso Industrial Têxtil  – R$ 24 milhões

Eduardo Faustino Pereira – R$ 24 milhões

Claudia Angelica Martins Makari – R$ 24 milhões

Nadim Makari – R$ 24 milhões

Fibra Cotton Investimentos e Participações Ltda. – R$ 24 milhões

Joseandro Gomides da Cruz Lima MEI – R$ 24 milhões

Dom Rufino Vinhos e Especiarias Ltda. – R$ 24 milhões

Ana Paula Braga – R$ 463.341,53

Fabiano Alipi da Silva – R$ 8,8 milhões

Monara Cervi – R$ 8,8 milhões

Joevan Silva Dias – R$ 8,8 milhões


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