O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) descreveu como de “gravidade concreta, qualificada e excepcional” a conduta atribuída ao investigador da Polícia Civil, Manoel Batista da Silva, de 52 anos, e sustentou que o caso ultrapassa a própria tipificação penal do estupro por ter ocorrido dentro de uma delegacia, durante plantão oficial, contra uma mulher presa e sob custódia do Estado. Na representação que embasou a decretação da prisão preventiva, o promotor de Justiça, Luiz Fernando Rossi Pipino, afirmou que o episódio representa um ataque direto à credibilidade das instituições.
O membro do MPMT ainda argumentou que o comportamento do policial rompe o “pacto mínimo de confiança” que sustenta a atuação estatal e revela periculosidade concreta. “Quando um agente policial, investido do poder de coerção e responsável pela custódia de pessoas sob a tutela estatal, transforma a Delegacia de Polícia – espaço institucional destinado à proteção da legalidade e da dignidade humana – em palco de violência sexual, não se tem apenas um crime comum, mas a corrosão direta da moralidade administrativa, da credibilidade das instituições e da autoridade ética do sistema de justiça criminal”, comentou.
Para o promotor, a prisão preventiva não representa antecipação de pena, mas medida necessária para resguardar a ordem pública. “Quem transforma uma Delegacia de Polícia em cenário de estupro não pode aguardar o julgamento em liberdade. A prisão preventiva, aqui, não é antecipação de pena – é proteção da sociedade, da vítima e do próprio Estado de Direito”, afirmou.
O investigador foi preso na manhã deste domingo (1°) onde permanece à disposição da Justiça. Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais apreenderam armas de fogo, munições e equipamentos funcionais que estavam em posse do investigador.
Entre os itens recolhidos, estão uma pistola Glock acompanhada de três carregadores e 60 munições calibre 9mm; uma pistola Taurus também com três carregadores e 12 munições calibre 9mm; uma carabina Taurus; uma espingarda Boito; além de outras 20 munições de calibres diversos. Também foram apreendidos uma algema modelo German, um colete balístico da Polícia Civil, documentos acondicionados em lacre oficial e um aparelho celular modelo Galaxy A11.


