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Sorriso e outras cidades: Comerciantes eram coagidos a entrar em “projeto” milionário de raspadinha

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O esquema milionário de raspadinhas ilegais ‘Raspa Brasil’, chefiado pelo Comando Vermelho em várias cidades de Mato Grosso, foi desmantelado pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (14) na Operação Raspadinha do Crime. A investigação, que começou ainda este ano, revelou que a facção em apenas seis meses, movimentou R$ 3 milhões com o esquema de jogo de azar, usando comerciantes locais para fazer a venda do produto.

Em coletiva de imprensa realizada na sede da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o delegado Antenor Pimentel, da DRACO, revelou que na divisão de lucros da ‘Raspa Brasil’, os comerciantes recebiam 10% dos valores, os distribuidores mais 10% e a facção criminosa ficava com 80% dos lucros.

Antenor relatou também que por muitas vezes os comerciantes eram coagidos a realizar a venda do produto sem ter muito espaço para dizer não, dada a presença ameaçadora da facção criminosa.

“Por exemplo, se o comerciante sabe que no bairro dele tem cinco faccionados, e os cinco faccionados procuram o comércio e falam assim ó: “eu gostaria que o senhor vendesse e aderisse ao nosso projeto”. Como que o comerciante vai falar que não? Então tinha muito essa questão também da coação indireta”, relatou o delegado.

A OPERAÇÃO

A estrutura da empresa era dividia em três níveis operacionais. No topo, o núcleo estratégico, sediado na Capital, era responsável por coordenar as ações financeiras e definir as diretrizes da operação. Abaixo, o núcleo financeiro gerenciava contas bancárias de fachada, movimentando grandes quantias e distribuindo recursos a diferentes regiões do estado. 

A rede criminosa conseguiu se espalhar por mais de vinte cidades de Mato Grosso, com núcleo operacional, composto por representantes locais, que distribuíam os bilhetes, recolhiam os valores e controlavam a contabilidade das vendas. Todo o sistema era estruturado para manter o anonimato da facção e mascarar a origem do dinheiro. 

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Antenor Pimentel, por meio do negócio criminoso, que se apresentava como empresa, a ação conseguiu transformar a aparência de legalidade em instrumento de lavagem de dinheiro. 

“A operação representou um golpe direto no braço econômico da facção, desmantelando uma rede que unia tecnologia, manipulação social e engenharia financeira. A investigação segue em andamento, com foco na recuperação dos valores desviados e na identificação de possíveis ramificações interestaduais”, disse o delegado.

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