Acusações contra Fávaro reacendem histórico de alianças rompidas por Bolsonaro em Mato Grosso

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A reação de grupos da direita à fala do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), reacendeu uma disputa política que atravessa quase cinco anos. Após declarar que “quem não sabe usar tornozeleira tem que ficar preso”, Fávaro virou alvo de ataques e passou a ser chamado de “traidor” por parlamentares bolsonaristas. Porém, a reconstrução histórica das alianças em Mato Grosso mostra que a ruptura entre ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro não começou por iniciativa do ministro  e que episódios de “traição política” marcaram intensamente o estado.

Em 2018, Fávaro concorreu ao Senado e terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Selma Arruda e Jayme Campos. Quando Selma foi cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2019, o estado não poderia ficar sem representação. Assim, por decisão da Justiça Eleitoral, Fávaro assumiu temporariamente o mandato tampão, até a realização da eleição suplementar ao Senado.

Nesse período, manteve relação respeitosa com o governo Bolsonaro e alinhamento em várias pautas. No entanto, ao se aproximar a eleição suplementar de 2020, a expectativa de apoio do Planalto foi rapidamente frustrada. Bolsonaro declarou apoio oficial à então deputada federal Coronel Fernanda (Patriota), em vídeos, lives e agendas públicas, apresentando-a como sua candidata ao Senado por Mato Grosso e descartando qualquer possibilidade de endosso a Fávaro.

O gesto marcou a primeira inflexão na relação entre ambos. Apesar de estar no exercício do mandato e de manter postura institucional, Fávaro foi preterido. Sem o apoio presidencial, disputou a eleição suplementar de forma independente e venceu o pleito, tornando-se senador titular e se afastando definitivamente do núcleo bolsonarista.

Outro personagem central nessa dinâmica é José Medeiros (PL-MT). Considerado um dos aliados mais fiéis de Bolsonaro no estado — defensor do ex-presidente no Congresso, vice-líder do governo e presença constante em agendas do Planalto — Medeiros nunca recebeu apoio declarado de Bolsonaro, apesar de sua lealdade. Em 2020, o deputado lançou-se candidato ao Senado esperando ser o nome natural do bolsonarismo, mas foi novamente preterido quando Bolsonaro optou por apoiar exclusivamente Coronel Fernanda.

A lógica se repetiu em 2022. Na única vaga disponível para o Senado por Mato Grosso, Bolsonaro decidiu apoiar a reeleição de Wellington Fagundes (PL), deixando Medeiros de fora pela segunda vez  mesmo após anos de fidelidade. Enquanto isso, figuras tradicionais do bolsonarismo mato-grossense, como Victorio Galli, também foram abandonadas nas articulações e não conseguiram apoio formal do ex-presidente.

Esses movimentos ajudam a explicar por que, hoje, aliados classificam Fávaro como “traidor”. No entanto, a cronologia expõe uma sequência de alianças rompidas pelo próprio Bolsonaro. O padrão se repete nacionalmente: Sergio Moro, Luiz Henrique Mandetta, Santos Cruz, Joice Hasselmann e Major Olímpio são alguns dos nomes que enfrentaram rupturas semelhantes  todos ex-aliados que, em determinado momento, foram descartados por reconfigurações políticas do ex-presidente.

No caso de Mato Grosso, a troca constante de aliados é ainda mais evidente. Selma Arruda, José Medeiros, Coronel Fernanda, Victorio Galli e o próprio Fávaro passaram por situações em que o apoio de Bolsonaro variou conforme o interesse eleitoral do momento.

A recente fala de Fávaro  “quem não sabe usar tornozeleira tem que ficar preso”  funcionou apenas como gatilho para reavivar tensões antigas. A declaração reafirmou a necessidade de cumprimento das decisões da Justiça, mas foi usada politicamente por adversários que ignoram o histórico de fidelidades trocadas e alianças rompidas no estado.

Ao final, a pergunta que ecoa em Mato Grosso não é se Fávaro traiu Bolsonaro. A questão que permanece é outra: quem realmente rompeu primeiro as alianças políticas ao longo dos últimos anos?A cronologia, mais uma vez, aponta para um único lado.

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