O deputado estadual Faissal Calil (PL) afirmou estar tranquilo após ser alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (9), durante a Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o desembargador afastado Dirceu dos Santos.
Ao deixar sua residência, localizada no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, o parlamentar negou qualquer participação em irregularidades e declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos.
“Pode investigar o que for, eu tô muito tranquilo. Recebemos a polícia com tranquilidade. Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado”, afirmou.
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Faissal também disse desconhecer os detalhes da decisão judicial que autorizou a operação, mas ressaltou que não teme as investigações.
“Quem não deve não teme. Preciso me inteirar mais. Sou o mais interessado para que isso seja esclarecido”, declarou.
Questionado sobre a suspeita de venda de decisões judiciais, o deputado negou qualquer envolvimento e afirmou que não mantém relação com Dirceu dos Santos desde que assumiu mandato na Assembleia Legislativa.
“Não tem nenhuma transação minha com ele. Desde que virei deputado, perdi todo o contato, simplesmente me afastei”, afirmou.
Segundo o parlamentar, durante as buscas realizadas em sua residência, os agentes federais apreenderam apenas seu aparelho celular. Ele também negou que armas ou relógios tenham sido recolhidos em sua casa, sugerindo que esses materiais possam ter sido encontrados com outros investigados.
Investigação aponta movimentações milionárias
De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam que o desembargador afastado Dirceu dos Santos teria utilizado uma estrutura financeira e patrimonial para ocultar recursos supostamente obtidos de forma ilícita.
Os investigadores apontam que Faissal seria uma pessoa de confiança do magistrado e teria atuado em movimentações financeiras e patrimoniais consideradas suspeitas. A apuração se baseia em dados extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Conforme o relatório policial, foram identificados depósitos e saques em espécie que ultrapassam R$ 3,2 milhões, além de transferências financeiras consideradas incompatíveis com as justificativas apresentadas pelos investigados.
A PF sustenta que parte das operações teria sido realizada para conferir aparência de legalidade a negociações envolvendo recursos, despesas familiares e transações imobiliárias.
Outro ponto destacado pela investigação é a existência de movimentações financeiras supostamente realizadas por empresas ligadas ao agronegócio que possuíam processos em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Desembargador está afastado
Dirceu dos Santos está afastado do cargo desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça. As suspeitas envolvem possível recebimento de vantagens indevidas e comercialização de decisões judiciais.
As investigações também apontam que o patrimônio atribuído ao magistrado supera R$ 16 milhões, valor considerado incompatível com os rendimentos da magistratura. Entre os bens analisados está um apartamento de alto padrão em Cuiabá, cuja documentação teria ligação com uma operação imobiliária envolvendo o deputado estadual.
Origem do nome da operação
A Polícia Federal batizou a ação de Operação Gemini, termo em latim que significa “gêmeos”. Segundo os investigadores, o nome faz referência à suposta relação de complementaridade entre os investigados, na qual um atuaria no exercício da função pública e outro na operacionalização financeira das movimentações sob investigação.
Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.




