O ex-prefeito de Cláudia, Vilmar Giachini (MDB), foi identificado como um dos alvos de mandado de busca e apreensão na Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8) pela Polícia Federal.
A ação apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).
Produtor rural, Vilmar exerce atualmente o cargo de vereador na Câmara de Cláudia. Além dele, também já foram identificados como alvos da operação o desembargador afastado do TJ-MT, Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL), o advogado Bruno Oliveira Castro, e o empresário Luciano Cândido Amaral.
Conforme informações apuradas pela reportagem, as investigações que deram origem à operação tiveram início após uma denúncia encaminhada pela Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, em Cláudia, à Procuradoria da República em Rondonópolis.
Na denúncia, a associação relatava o suposto pagamento de R$ 1 milhão para favorecer uma das partes em um processo de reintegração de posse que havia sido julgado improcedente em primeira instância.
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De acordo com a representação da Polícia Federal, há indícios de que a redistribuição do processo ocorreu em desacordo com as regras de prevenção e competência do Tribunal de Justiça.
“Conforme relatado, a ação possessória havia sido julgada improcedente em primeiro grau, com manutenção da posse em favor das famílias assentadas, mas o recurso de apelação interposto pela parte vencida teria sido redistribuído, após sucessivos expedientes processuais, à relatoria de D. dos S. [Dirceu dos Santos], que, em segundo grau, proferiu decisão favorável aos interesses da empresa”, diz trecho da decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorozou a operação.
A Justiça autorizou o acesso a dados digitais de Giachini armazenados em serviços da Microsoft, incluindo contas de e-mail, arquivos em nuvem no OneDrive e registros de acesso. Além disso, as contas bancárias e as declarações de Imposto de Renda do vereador serão analisadas para rastrear a movimentação financeira.
A Operação Gemini é um desdobramento da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de corrupção no Judiciário envolvendo a venda de decisões judiciais e o vazamento de informações sigilosas ligadas ao STJ.
Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, realizou buscas pessoais e executou medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.