Após causar mal-estar ao anunciar que o ex-governador Pedro Taques seria um dos candidatos do campo progressista ao Senado por Mato Grosso, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, voltou atrás e ‘reformulou’ o discurso. Ele afirmou que não haverá nenhuma construção de aliança no estado “sem o reconhecimento da liderança do ministro Carlos Fávaro”, senador licenciado e nome quase certo a uma das duas vagas ao Senado em 2026.
Apesar de filiado ao PSD, o ministro mantém relação próxima com a Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB. O anúncio inicial de Edinho Silva sobre Taques pegou de surpresa até integrantes da própria federação, que receberam com desconforto a notícia devido ao “filme queimado” do ex-chefe do Palácio Paiaguás.
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Taques foi anunciado no domingo como nova filiação do PSB para disputar o Senado em 2026, justamente na coligação que deve sustentar a reeleição do presidente Lula, atualmente capitaneada no estado por Fávaro. Taques e Fávaro romperam em 2018, quando o ministro renunciou ao cargo de vice-governador com críticas duras à gestão do então aliado, pondo fim à dobradinha eleita em 2014.
Na ocasião, Edinho Silva informou a filiação de Pedro Taques ao PSB, que deverá concorrer ao Senado. “O palanque do presidente Lula em Mato Grosso terá chapa completa, com candidatura ao governo do Estado, candidaturas às duas vagas ao Senado e chapas a federal e estadual. Precisamos eleger parlamentares do campo progressista, para sustentar o próximo governo Lula”, disse.
Dois dias depois do anúncio, Edinho Silva alterou seu discurso e declarou que “não haverá construção sem o reconhecimento da liderança do ministro”.
Fávaro apoiou Lula na eleição presidencial de 2022 e atuou como articulador do petista junto ao agronegócio em Mato Grosso, setor tradicionalmente resistente ao PT. Como “brinde”, foi alçado ao cargo de ministro da Agricultura, considerando que tem bom trânsito e influência com a bancada ruralista.
“Queremos ampliar os nossos palanques nos estados, isso é fundamental para a reeleição do Presidente Lula. Em Mato Grosso não pode ser diferente, mas não haverá construção da tática eleitoral no estado sem reconhecer a liderança do ministro Fávaro, sem ouvi-lo. Ele é um excelente ministro e um dos principais quadros da República”, afirmou o presidente nacional do PT.
A rejeição a Taques
A rejeição a Taques se dá , principalmente, pelo desgaste de sua imagem devido à sua gestão à frente do governo do Estado.
Eleito em 2014, justamente numa disputa contra o PT, ele deixou o Palácio Paiaguás com a popularidade em baixa, o estado em delicada situação fiscal, e com atrasos no pagamento de servidores, além da falta de investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. Mesmo com máquina pública nas mãos, ele não conseguiu a reeleição.
Após um período de poucas aparições públicas, até mesmo na internet, Taques tem focado em aparecer nas redes sociais. Em vídeos publicados em seu Instagram, ele tem abordado principalmente temas políticos locais e feito críticas direcionadas à gestão do governador Mauro Mendes (UNIÃO).
As reações de Fávaro e Lúdio
O Ministro Carlos Fávaro, que estava em Cuiabá nesta terça-feira (16) para a entrega de maquinários do governo federal, comentou a situação em entrevista concedida à imprensa.
Ele afirmou que não foi consultado sobre a escolha de candidatos pela federação, mas ressaltou que isso não era uma obrigação, pois “a federação é independente, pode escolher um ou dois candidatos”. “Não tinha nenhuma obrigação. Eu não tinha nenhuma formalidade com a federação”.
Por outro lado, o deputado estadual Lúdio Cabral, uma das principais lideranças do PT em Mato Grosso, criticou a “fala infeliz” de Edinho ao anunciar o ex-governador no palanque petista. Lúdio disse que não é possível discutir uma vaga ao Senado sem o consentimento de Fávaro e sugeriu que Edinho foi mal informado sobre a realidade política local.
“Infelizmente, alguém informou mal o Edinho sobre o contexto político aqui de Mato Grosso.
A fala dele foi muito infeliz. A reação da militância foi muito ruim”.