O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em julho e chegou a 82%, o maior percentual desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Em relação a junho, o índice subiu de 81,6% para 82%, marcando o sexto recorde consecutivo. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi de 3,5 pontos percentuais. O levantamento considera famílias que possuem algum tipo de compromisso financeiro, como cartão de crédito, financiamentos, empréstimos, cheque especial e carnês.
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência apresentou leve recuo, passando de 29,9% para 29,8%. No entanto, o estudo aponta um dado preocupante: 19% das famílias afirmaram comprometer mais da metade da renda com o pagamento de dívidas, o maior percentual registrado desde março deste ano.
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Segundo especialistas, a redução dos atrasos pode estar relacionada aos efeitos iniciais do programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de débitos. Ainda assim, o elevado comprometimento da renda demonstra que o orçamento das famílias permanece pressionado, principalmente entre os consumidores de menor poder aquisitivo.
A pesquisa também mostra que famílias com renda de até três salários mínimos seguem sendo as mais afetadas. Nessa faixa, 84,9% dos entrevistados possuem dívidas e 38,5% estão com contas em atraso. Além disso, aumentou o número de pessoas que afirmam não ter condições de quitar os débitos vencidos.
Para a CNC, embora alguns indicadores apontem melhora, o cenário ainda exige cautela. A entidade defende medidas que reduzam o peso das dívidas sobre o orçamento das famílias e estimulem a recuperação da atividade econômica.