Líder das articulações para que a deputada estadual Janaína Riva (MDB) seja indicada como candidata a vice-governadora em uma eventual chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) em 2026, o empresário do agronegócio Eraí Maggi Scheffer chegou a oferecer uma fazenda em aposta a um produtor rural de Tangará da Serra de que conseguirá consolidar a formatação política. Segundo lideranças ouvidas pelo Olhar Direto, Eraí trabalha atualmente para “medir a temperatura” e reduzir resistências a essa composição, testando a viabilidade do arranjo dentro do grupo governista e fora dele.
Um dos movimentos nessa direção foi a tentativa de aproximar Janaína do núcleo político do Palácio Paiaguás durante o evento de lançamento da chamada “Gilmarlândia”, realizado no sábado (21), em uma área de fazenda do Grupo Bom Futuro, em Diamantino. No encontro, estiveram presentes Pivetta, o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União), e o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB). Janaina, no entanto, não participou da agenda.
A leitura de interlocutores é que uma reunião ampliada, com presença de todos em uma foto oficial, serviria como passo inicial para “normalizar” a hipótese perante o meio político e a opinião pública, mas a composição ainda não avançou a esse ponto.
Apesar do movimento, fontes apontam que Eraí ainda não abriu conversa direta nem com Pivetta, nem com Janaina Riva sobre essa composição. Dentro do Palácio Paiaguás, a avaliação é que a hipótese só passa a ser tratada como viável se Pivetta sinalizar positivamente para que o empresário formalize interlocução com a deputada e, na sequência, haja consulta ao governador Mauro Mendes (União), principal fiador político do grupo.
No cálculo dos aliados de Eraí, caso Janaína não dispute o Senado, aumentam as chances de Mauro Mendes e Carlos Fávaro (PSD) ocuparem as duas vagas de Mato Grosso na Câmara Alta, cenário considerado ideal por esse campo político. Soma-se a isso a leitura de que a deputada poderia ampliar o alcance eleitoral de Pivetta, sobretudo entre mulheres e jovens, além de acelerar a massificação do nome do vice-governador.
O obstáculo é o histórico recente de atritos. Em 2024, a relação entre Janaína e o núcleo do Paiaguás se desgastou durante a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, quando ela foi retirada da primeira-secretaria e o cargo acabou ficando com o deputado Dr. João. Em 2025, Janaína e Fábio Garcia protagonizaram embates públicos, ampliando o distanciamento, e a deputada passou a vocalizar pautas que impõem desgaste ao governador Mauro Mendes, especialmente temas ligados ao funcionalismo.
A partir de 2026, porém, interlocutores apontam início de trégua: mesmo com Janaína ainda se posicionando na oposição, os ataques públicos arrefeceram, abrindo espaço para que emissários e aliados testem, com cautela, se há ambiente político para uma reaproximação com valor eleitoral.


