O senador Wellington Fagundes (PL), apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse nesta segunda-feira (6) que o presidente Lula (PT) “entrou nos eixos” ao dialogar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A conversa entre os dois presidentes aconteceu nesta segunda-feira (6) e focou nas taxações sobre as exportações brasileiras para os EUA. De acordo com o Planalto, a ligação telefônica ocorreu por iniciativa de Trump, que disse que a conversa “foi muito boa”.
Fagundes, em entrevista, afirmou que a importância de manter a “química” entre os dois líderes, citando a declaração de Trump de que houve uma boa conexão com o presidente brasileiro durante o encontro na Assembleia-Geral da ONU, no início do mês.
“Felizmente, o presidente Lula agora entrou no eixo, aceitou conversar, e se foi casual ou não a presença dele lá nos Estados Unidos, deu certo a química. Essa química tem que ir muito mais, ela tem que ter uma relação de país. Então as relações diplomáticas, independente da questão ideológica, têm que existir. Então eu agora espero, ansioso, que isso realmente possa render mais relações entre essas duas nações”, afirmou o senador.
Questionado se essa aproximação entre Lula e Trump impacta no bolsonarismo ou diminuiu a influência de Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente que tem articulado a taxação contra o Brasil, ele disse que o diálogo tem que influenciar e impactar “bem na sociedade brasileira” e pulou para o assunto anistia.
“A questão ideológica, cada um vai defender nas eleições. E a população é que vai jogar de forma soberana. Por isso nós, do PL, estamos pedindo e amanhã vamos fazer um trabalho na Câmara dos Deputados para que vote na anistia”.
Ainda em sua fala, Fagundes citou uma comitiva de senadores que foi aos EUA tentar debater o tarifaço. Contudo, nenhum deles foi recebido pelo primeiro escalão do governo norte-americano, e o congressista foi questionado do porquê ir para outro país gastar dinheiro público em assunto que compete à diplomacia brasileira.
Ele respondeu que os senadores não têm o papel de substituir o presidente, mas se deslocaram até Washington porque representam os estados brasileiros. “Foram lá exatamente para tentar abrir esse diálogo”.
Ele também citou e elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin e empresários brasileiros pela interlocução.
“Inclusive, tudo que foi possível agora só está acontecendo nesse diálogo porque também os empresários brasileiros tiveram influência muito grande, muito grandiosa. E aqui eu destaco o papel do vice-presidente da República, o Alckmin, que fez sim esse papel na condição de ministro.
Conversa entre Lula e Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram nesta segunda-feira (6) uma conversa de 30 minutos por videoconferência. Na oportunidade, Lula solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.
De acordo com o Planalto, a ligação telefônica ocorreu por iniciativa de Trump. Os dois presidentes chegaram a trocar telefones para estabelecer via direta de comunicação.
Na conversa, Lula disse que o contato representa uma “oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”.