O ex-governador e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), afirmou que as diversas manifestações de apoio externadas por políticos de Mato Grosso contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não foram solidariedade genuína ao ex-mandatário, mas sim uma manobra estratégica para captar votos de sua base eleitoral.
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Após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro no último sábado, diversos políticos do Estado se manifestaram publicamente contra a decisão da Justiça. Entre eles, estavam prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais de Mato Grosso, estado onde o ex-presidente venceu tanto em 2018 quanto em 2022 e onde concentra uma de suas maiores bases eleitorais.
Contudo, Blairo afirma que houve um cálculo eleitoral por trás dessas manifestações, e não um apoio genuíno desses políticos a Bolsonaro.
“Os políticos aqui de Mato Grosso, independente da cor política, menos os petistas, todos ficaram solidários com o Bolsonaro. O que é isso? Na verdade, solidário com ele? Não, não é. É solidário com a posição política, de querer não perder o voto que tem ao redor de quem acredita nesse tipo de coisa”.
A declaração ocorreu na noite desta quarta-feira (26) durante o 3º Congresso Cerealista Brasileiro, realizado no Malai Manso Resort, em Chapada dos Guimarães.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso na manhã de sábado (22) por causa de uma violação da tornozeleira eletrônica utilizada por Bolsonaro. Em audiência de custódia, o ex-presidente confessou o ato e alegou “paranoia” causada por medicamentos.
Questionado sobre a opinião divergente entre juristas contra o processo que levou à prisão do ex-presidente, Blairo disse que é impossível fazer uma análise sobre isso e que há discordâncias até em sua própria família e seu círculo de amigos. Contudo, afirmou que a última palavra que prevalece é a da Justiça.
“Não tem nem como fazer análise porque 50% pensa de um lado e 50% pensa do outro. Eu vejo dentro da minha própria família, no hall dos meus amigos, ‘ah, mas não teve golpe. Se não houve golpe, não pode haver punição’. Aí o outro fala assim, ‘não, mas teve a tentativa. Se houve a tentativa, tem que ter a punição’.
“Eu parto do princípio de que a justiça tem a última palavra. Se algum erro está nesse processo judicial, mais à frente, depois que reduzir as pressões, depois que acalmarem as coisas, certamente muitas decisões poderão ser revistas. Eu não sei em que grau, porque não sou jurista, não conheço”.