O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), fez duras críticas ao Governo Federal ao comentar, nesta segunda-feira (3), os desdobramentos da Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro, e prestou apoio ao governador fluminense, Cláudio Castro (PL). Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o gestor afirmou que a ação expôs a falta de preparo do país para enfrentar o avanço das facções criminosas.
Segundo ele, episódios como o ocorrido no RJ deveriam servir como alerta para autoridades nacionais. “É muito lamentável que a gente precise ter um episódio como esse para que o Brasil ou algumas autoridades pudessem acordar para esse grave problema que é o aumento das facções criminosas em todo o país”, disse.
Mendes ressaltou que o crescimento do crime organizado se tornou uma “epidemia nacional” de difícil combate com os instrumentos atuais. “O Rio de Janeiro é um caso crítico, existem outros lugares críticos, mas nós temos que reconhecer que as facções criminosas cresceram no país e estão presentes em todos os estados”.
Mendes também criticou a proposta da PEC da Segurança, enviada pelo Planalto ao Congresso. Para ele, o texto atual não traz soluções efetivas. “O governo mandou uma PEC que não significa nada. Não precisa fazer uma PEC para dizer que vai integrar forças de segurança. Precisamos integrar instrumentos mais duros e inteligentes para acabar com essas facções”, completou.
“HIPOCRISIA” E FALTA DE MEDIDAS REAIS
FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: GRUPO DO WHATSAPP | INSTAGRAM DO CN NEWS MT
O governador mato-grossense destacou que o crime organizado já ultrapassou o narcotráfico, atuando também dentro da economia informal, o que exigiria ações mais amplas da esfera federal. Ele mencionou ainda que a maioria dos homicídios no país está relacionada a facções e criticou a ausência de mobilização de entidades sociais ou medidas efetivas por parte da Justiça.
“Todos os dias essas facções matam no Brasil, são 120, 140 assassinatos por dia, mais de 40 mil ano passado. As facções representam mais de 70% desses assassinatos. Alguém foi convocado para depor? As ONGs estão fazendo alarde? Se comovem com essas mortes? Não”, disparou.
Ao citar ações estaduais, Mendes afirmou que Mato Grosso endureceu o combate com programas como o Tolerância Zero e o Disque Extorsão, mas que as polícias estaduais trabalham com instrumentos insuficientes. O governador criticou decisões judiciais que, segundo ele, alimentam o ciclo da criminalidade. “Se prende um cara por extorsão, a Justiça um ou dois dias depois vai lá e solta ele. A facção recruta outro réu primário e continua o ciclo”.
Ele finalizou reafirmando a cobrança por apoio federal mais contundente. “Eu não vejo nenhuma medida concreta vindo do Governo Federal e das leis federais. Daí ficamos nós, governadores, com Polícia Civil e Militar, fazendo esse combate com instrumentos aquém da realidade”.