O deputado federal José Medeiros (PL) criticou com dureza a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de homologar três novas Terras Indígenas (TIs) em Mato Grosso. Segundo o parlamentar, a medida faz parte de um plano maior do governo petista para enfraquecer o agronegócio e travar o desenvolvimento do estado. Ao comentar o assunto em entrevista nesta semana, Medeiros afirmou que Lula quer transformar Mato Grosso em um “grande zoológico” e que a política de demarcação seria influenciada por interesses internacionais.
“O Lula e o PT, na verdade, eles gostam de bater palma para o maluco dançar. Eles já arrebentaram com o Mato Grosso da outra vez. Eles acabaram com a cidade de quase 8 mil habitantes”, disse, referindo-se ao caso da TI Marãiwatsédé, que teve sua demarcação homologada em 2012 e resultou na retirada forçada de centenas de famílias do município de Alto Boa Vista, provocando um colapso econômico e social na cidade.
FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: GRUPO DO WHATSAPP | INSTAGRAM DO CN NEWS MT
Lula assinou os decretos que oficializam a posse permanente das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos originários nas áreas da TI Manoki, TI Uirapuru e TI Estação Parecis. Somadas, elas totalizam mais de 250 mil hectares, distribuídos nos municípios de Brasnorte, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste e Diamantino. A iniciativa foi anunciada como parte do esforço do governo federal para cumprir o que determina a Constituição sobre os direitos territoriais dos povos indígenas.
O deputado também citou casos mais recentes de conflitos fundiários em áreas do norte de Mato Grosso e sul do Pará, onde, segundo ele, existem tentativas de invasão a fazendas consolidadas com base em autodeclarações falsas de indígenas. “Um mala, um mala sem alça, que foi até secretário de Administração já em Confresa. Montou uma banda, não teve sucesso. Foi secretário, não teve sucesso. Aí, de repente, resolveu se autodeclarar indígena e aí invadiu aquelas terras lá. E aí está o conflito”, afirmou.
Medeiros alega que produtores estão sendo impedidos de tocar suas atividades e que o prejuízo é crescente. “Tem uma fazenda lá que vem do avô do rapaz. Ele tem 13 mil matrizes bovinas […] Ele não podia vender bezerro, não podia matar as vacas, porque não tem para o que fazer. Quer dizer, é um absurdo que se coloca”, exemplificou.
O parlamentar também apontou a existência de interesses econômicos estrangeiros nas decisões do governo. “Eles querem, por certo, tornar isso aqui um grande zoológico. Então, não dá nem para… A lógica não nos dá elementos. Talvez a inteligência artificial nos dê, para conseguir entender o que é que passa na cabeça desse povo”, ironizou.
A crítica de Medeiros não ficou restrita à política de demarcações. Segundo ele, o discurso de proteção aos povos originários não condiz com a realidade enfrentada nas aldeias. Ele acusou o governo federal e ONGs de estarem por trás da pressão por novas áreas, e sugeriu que as terras escolhidas têm alto valor econômico.
Medeiros alertou para o que chama de “repetição do caso de Roraima”, onde mais de 60% do território já está sob domínio de reservas indígenas. “Agora querem fazer isso com o Mato Grosso. E essa sanha em cima do Mato Grosso tem um porquê. O Mato Grosso está se tornando um dos principais estados do país em termos de economia. Então, eu vejo, na verdade, uma forma de asfixiar. Isso aí tem interesses econômicos externos, tem tudo. Todo tipo de interesse em arrebentar com o nosso estado”, finalizou.