A pesquisa eleitoral divulgada nesta quinta-feira (18) pelo instituto Paraná Pesquisas revelou que a tentativa do ministro Carlos Fávaro (PSD) de minar a candidatura ao Senado de seu ex-aliado, o ex-governador Pedro Taques (PSB), tem um motivo aparentemente claro. O atual ministro da Agricultura, que tenta a reeleição ao parlamento federal, já aparece atrás do ex-gestor na amostragem, com 6,8 pontos percentuais de distância entre ambos.
Ex-vice-governador do hoje desafeto, Fávaro foi o principal responsável por vetar o desembarque de Taques na a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), já que ele é a principal aposta do grupo para uma cadeira no Senado, em 2026. Por conta disso, o ex-governador optou por ir para o PSB, devendo inclusive passar a comandar a sigla no próximo ano, com a ida do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, para o Podemos.
Na pesquisa, o nome de Taques não foi citado na modalidade espontânea, onde os candidatos não são apresentados ao eleitor, enquanto Fávaro foi apontado por 0,3% dos entrevistados. No entanto, o ex-governador aparece na frente do ministro no cenário previsto pela Paraná Pesquisas na modalidade estimulada, onde os nomes são divulgados durante a amostragem.
Já em rejeição, 17,6% dos eleitores afirmam não votar de jeito nenhum em Taques. Em segundo lugar aparece Jayme Campos, citado por 13,8% dos entrevistados como um candidato em quem não votariam de forma alguma. Na terceira posição está Carlos Fávaro, com 13,2% de rejeição, demonstrando que os três concentram os maiores índices de resistência do eleitorado no cenário estimulado.
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RIVALIDADE
O embate entre Taques e Fávaro se dá pela busca de protagonismo na disputa por uma vaga ao Senado, representando a esquerda em Mato Grosso. O ex-governador chegou a ser apoiado oficialmente, como segunda opção da esquerda, pelo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva. No entanto, o discurso mudou após encontrar resistência no próprio ministro que não reconheceu o antigo aliado como candidato do campo lulista em Mato Grosso.
Taques e Fávaro, no passado, foram aliados, já que ambos fizeram parte da chapa que venceu a disputa pelo Governo do Estado em 2014, como governador e vice, respectivamente. No entanto, em abril de 2018, no último ano da gestão da dupla, o atual ministro rompeu a aliança e pediu renúncia do cargo.
À época, além do desgaste da relação entre os dois, a saída de Fávaro se deu para evitar que ele se tornasse inelegível, caso Pedro Taques se licenciasse do cargo, já que o vice assumiria o cargo imediatamente. Houve também uma tentativa do ex-governador de interferir, através do diretório nacional do PSD, na comissão provisória do partido, que assim como hoje, era comandado pelo ministro.